A verdade esmagadora de um parque de estacionamento vazio num dos lugares mais caóticos da cidade. Uma casa vazia, um novo conceito de tempo, de espaço. Estas foram as primeiras pistas para o desenvolvimento da coleção. A segunda foram as flores. “Quando passamos mais tempo em casa voltamo-nos para dentro. As flores foram importantes para mudar a energia à minha volta e também me inspiraram para voltar a pintar. Redescobri álbuns antigos, música e filmes da adolescência. Quando não encontramos inspiração no exterior, quando esses elementos nos são retirados, voltamos às memórias, que também nos trazem influências mais emocionais”, conta o designer.
Em destaque está também a temporada que passou no Minho. “Tive a consciência de que é importante valorizar o que nos é próximo – os lugares e as pessoas. A beleza das serras, da Natureza, do vazio. É quase uma fantasia. Às vezes não nos apercebemos de que está tão perto porque olhamos com a perspetiva errada”, explica João Magalhães.
Uma intervenção de serigrafia manual em ganga, numa colaboração com Francisca Fafe, foi o ponto de partida para um fato e uma camisa. Voltam as peças em vegan leather, desta vez em cores pastel. “Fiz arranjos de flores e através de 3D scan, comecei uma experiência com o Guilherme Curado que resultou no desenvolvimento dos padrões digitais”, avança o criador. Os acessórios foram criados por Graça Côrte-Real.