
A duquesa de Montoro, Eugenia Martínez de Irujo
Mike Sergeant
Eugenia Martínez de Irujo, duquesa de Montoro, desperta a atenção da imprensa espanhola desde que nasceu, há 40 anos. Única rapariga e a mais nova dos seis filhos de Cayetana Fitz-James Stuart y de Silva, duquesa de Alba, e de Luis Martínez de Irujo, Eugenia sempre soube que não tinha uma vida igual à dos colegas. Mulher do seu tempo, isso não a impediu nunca de tentar conciliar a tradição do seu nome com a necessidade de ser uma " pessoa normal".
Para quem tem uma mãe que é 14 vezes Grande de Espanha, é uma das pessoas com mais títulos nobiliárquicos no mundo e aparece constantemente nas capas das revistas espanholas – muito por " culpa" da sua irreverência -, essa tentativa pode ser ingrata. O tempo, contudo, ajudou-a a lidar com a fama, e é com a personalidade forte que herdou da mãe que leva avante as suas próprias escolhas. Assim, a duquesa trabalha como designer de jóias para a Tous, faz voluntariado e é uma mãe presente para Cayetana, de nove anos, fruto da sua relação com o toureiro Fran Rivera, com quem esteve casada sensivelmente três anos.
Depois do divórcio, Eugenia voltou a apaixonar-se e namorou quatro anos com Gonzalo Miró, mas, segundo as últimas notícias espanholas, a relação terá terminado. Apesar de não ter respondido a questões sobre amores, a duquesa de Montoro falou com a CARAS sobre a sua família e os conflitos que tem vivido por causa do peso da tradição e o desejo de ser apenas mais uma pessoa.
– Veio a Portugal por motivos profissionais, mas, ao contrário de muitas pessoas, não trabalha por necessidade…Eugenia Martínes de Irujo – Preciso de trabalhar para me sentir bem comigo mesma. E, depois, gosto muito daquilo que faço. Trabalhar também ajuda a que tenha a minha vida ocupada. Mas não desenho só jóias. Quando estou em Madrid, também ajudo numa fundação que apoia crianças com doenças crónicas e terminais, e cujos sonhos tentamos realizar.
– Pertence a uma das mais nobres famílias espanholas. Como é que concilia a tradição com a vida de todos os dias?– Sempre tentei ter uma vida muito normal. E desde pequena que estou habituada a ser fotografada. Quando ia para o colégio, tinha fotógrafos à espera e sentia-me uma criança diferente. E não gostava disso, porque a minha mãe é que era conhecida, não eu. Era uma pressão. Mas sempre fiz uma vida normal. Estava com os meus amigos e fazia o que queria. O que tinha de ter era prudência.
– Durante a infância, já dava sinais da sua personalidade independente e emancipada?– Sim… Não era muito protegida pelos meus irmãos… O meu pai morreu quando eu tinha três anos, e sempre me faltou a figura de um pai, que é muito importante durante o crescimento de uma criança. Eu estava muito unida à minha mãe, mas depois ela voltou a casar-se e também tinha de se dedicar à sua vida de casada. E a relação com os meus irmãos mais velhos era como se fôssemos estranhos, porque não tínhamos contacto. Só de há dez anos para cá é que estamos mais próximos, porque a diferença de idades já não se nota tanto. Na minha família cada um seguiu a sua vida, somos todos muito independentes. Mas dou-me bem com todos os meus irmãos e adoro todas as vezes, que são raras, em que conseguimos estar todos juntos.
– Pode dizer-se que herdou esse espírito livre da sua mãe?– A minha mãe foi muito importante, porque nunca nos forçou a nada. Sempre nos encorajou a seguirmos os nossos caminhos e os nossos projectos. E nunca se meteu em nada. Mas a minha mãe é uma mulher emancipada só para algumas coisas… A minha ama, que é a pessoa que me criou, diz que eu e a minha mãe somos iguais. [risos] Somos pessoas com personalidades fortes e é normal que às vezes choquemos. Mas temos coisas parecidas.
– E fica contente com essa comparação?– Sim, fico orgulhosa. Gosto muito da minha mãe, porque diz o que pensa e faz o que quer, independentemente do resto. E é muito espontânea, tem muita força e um coração grande.
– Como é que lida com o mediatismo que o romance da sua mãe com Alfonso Díez, 24 anos mais novo, tem tido?– Procuro não ver, porque há coisas que se dizem que me magoam. Agora estou mais tranquila… E as circunstâncias da saúde da minha mãe uniram-nos enquanto família.