
Nos últimos tempos, um pouco por todo o mundo, a esmagadora maioria das notícias estão direta ou indiretamente relacionadas com o novo coronavírus e também com a forma como os líderes políticos têm lidado com esta pandemia.
O rei da Tailândia tem sido bastante atacado nos últimos tempos através de uma campanha que se tornou viral nas redes sociais, tendo surgido nos trending topics do Twitter no país. “Para que necessitamos de um rei” foi o mote para uma onda de críticas impulsionadas pelo antigo professor de Historia da Universidade de Thammasat, Somsak Jeamteerasakul, refugiado politico em França desde 2014, e partilhadas por mais de 1,2 milhões de pessoas em apenas 24 horas.
Este tipo de ações tomam outra relevância dado que na Tailândia é crime criticar qualquer elemento da monarquia, principalmente o rei, que é considerado um semi-Deus. Quem se atreve a fazê-lo poderá sofrer uma pena de prisão de até 35 anos ou ter que pagar multas pesadíssimas.
O rei Vajiralongkorn concluiu a sua coroação no final do ano passado, numa cerimónia que colocava um ponto final à sucessão do seu pai, o rei Bhumibol, que morreu em 2016. No entanto, a figura do atual monarca gera descontentamento entre a população, que coloca em causa a sua idoneidade devido ao estilo de vida excêntrico que leva.
Em pouco meses rompeu com todo o tipo de convenções existentes, tendo até nomeado a primeiro concubina em mais de um século, para repudiá-la apenas dois meses mais tarde. Com este tipo de decisões, Vajiralongkorn tem deixado cair a credibilidade da monarquia, que se manteve intacta durante as seis décadas de reinado do seu pai, que sempre foi venerado pela população. “Não és um rei, apenas tiveste a sorte de ser filho de um rei”, pode ler-se nas redes sociais.
Umas das principais críticas feitas ao monarca prende-se com o pouco tempo que passa no país. Ao contrário do seu pai, que passou os últimos 24 anos de vida na Tailândia, Vajiralongkorn viaja muitas vezes até à Baviera, onde tem residência, gostando também de passear de bicicleta pelos campos da Suiça, um estilo de vida que parece não querer abandonar, mesmo em época de quarentena.
Perante os ataques constantes nas redes sociais de que Vajiralongkorn tem sido alvo, o ministro da Economia Digital e Sociedade do país, Puttipong Punnakanta, começou por dizer à agência Reuters que preferia não comentar o caso, mas recordou que monitoriza “de maneira regular tanto quanto é possível” a atividade digital. “Respeitamos a expressão individual, mas se causar problemas recorremos à lei”, afirmou.