
O Ministério Público (MP) espanhol acredita que Juan Carlos poderá ter reunido uma avultada fortuna ao receber comissões por negócios internacionais, uma conclusão retirada da carta rogatória enviada em fevereiro pela Justiça espanhola e revelada esta sexta-feira, dia 3 de setembro, pelo jornal El Mundo.
O documento refere que o procurador Juan Ignacio Campos solicitou acesso às informações de todas as contas abertas na Suíça entre 2016 e 2019 em nome da Fundação Zagatka, que é controlada por Álvaro de Orléans-Borbón, primo de Juan Carlos. De acordo com a carta, foram cobertos pela fundação, ao longo desses anos, gastos avultados com “despesas, presentes e viagens privadas”.
O procurador explica ainda que o MP suspeita que o rei emérito tenha sido intermediário em negociações internacionais, alertando ainda, segundo o mesmo documento, para possíveis crimes de “lavagem de dinheiro, contra o Tesouro, suborno e tráfico de influência”.
Face à notícia divulgada esta sexta-feira pelo El Mundo, a equipa jurídica do pai de Felipe VI já reagiu, através de um comunicado, publicado na imprensa espanhola, que refere que a notícia veiculada se refere a um “pedido de assistência jurídica internacional em matéria criminal, enviado às autoridades suíças”, pedido esse que “não é público” e que o comunicado feito às autoridades suíças “contém graves afirmações e acusações de conduta que se praticam”, de acordo com a equipa jurídica do rei emérito, “sem qualquer respaldo e sem a menor justificativa, sendo contrariadas por outros factos sobre os quais nada se diz”.
Por esse motivo, a equipa liderada pelo advogado Javier Sánchez-Junco sublinha que “tais afirmações violam de maneira evidente o princípio de presunção de inocência, que protege todos os cidadãos e transferem-se para a opinião pública avaliações e considerações que prejudicam gravemente S.M. o Rei D. Juan Carlos”, numa altura em que o monarca se encontra “sob investigação do Ministério Público há mais de um ano”.
O objetivo das autoridades é de determinar a proveniência do montante, que não foi declarado pelo rei emérito ao fisco espanhol, segundo explica o procurador Juan Ignacio Campos, soma essa que Juan Carlos já começou a pagar às Finanças. O pai de Felipe VI, de 83 anos, terá pago já cerca de 4,4 milhões de euros de um total de perto de oito milhões.