A morte de Lady Pamela Hicks, aos 97 anos, representa mais do que a despedida de uma aristocrata ligada à família real britânica. Para muitos, dentro e fora do Palácio, a sua partida simboliza o fim de uma geração que acompanhou, de perto, os bastidores mais reservados da monarquia durante o reinado de Elizabeth II.
Filha de Lord Louis Mountbatten e prima do príncipe Philip, duque de Edimburgo, Pamela ocupava um lugar singular na história da família Windsor: esteve presente não apenas nos grandes acontecimentos oficiais, mas também nos momentos mais íntimos da realeza britânica — sempre com discrição, elegância e afastada da exposição mediática.
A notícia foi confirmada pela filha, India Hicks (58), através de uma homenagem emotiva publicada nas redes sociais. Na mensagem, descreveu a mãe como “a última da sua geração”, sublinhando o charme natural, a lucidez e a sofisticação que manteve até aos últimos dias.
Lady Pamela foi uma das damas de honra no casamento da então princesa Elizabeth com Philip, em 1947. Anos mais tarde, testemunharia um dos momentos mais decisivos da história recente da monarquia britânica: acompanhava Elizabeth numa visita oficial ao Quénia quando chegou a notícia da morte do rei George VI, acontecimento que transformou inesperadamente a jovem princesa em rainha.

A mulher que viu a monarquia mudar por dentro
Embora raramente concedesse entrevistas polémicas ou revelasse detalhes embaraçosos sobre a família real, Lady Pamela tornou-se uma das figuras mais respeitadas do círculo íntimo dos Windsor precisamente pela absoluta reserva que manteve ao longo das décadas.
Fontes próximas da aristocracia britânica descreviam-na frequentemente como uma presença serena, observadora e profundamente leal à rainha Isabel II. Em períodos marcados por crises familiares, mudanças institucionais e profundas transformações na imagem pública da monarquia, Pamela permaneceu como uma espécie de guardiã silenciosa da velha realeza britânica.
Nos últimos anos, a sua figura ganhou ainda maior relevância entre admiradores da Coroa por representar uma ligação directa aos tempos mais emblemáticos do reinado de Elizabeth II — incluindo viagens históricas, encontros diplomáticos e episódios reservados da vida no Palácio.
Com a sua partida, desaparece também uma das últimas testemunhas vivas de uma era marcada pela tradição, pelo dever e pela discrição — valores que preservou até ao fim da vida.
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