A morte da princesa Bajrakitiyabha, anunciada esta sexta-feira pela família real da Tailândia, encerra um dos períodos mais delicados vividos pela monarquia do país nos últimos anos e reacende, ainda que discretamente, questões em torno da sucessão real.
Filha mais velha do rei Maha Vajiralongkorn (73), a princesa morreu aos 47 anos, após mais de três anos em coma. O problema teve início em dezembro de 2022, quando sofreu um colapso enquanto treinava os seus cães. Segundo a equipa médica responsável, o quadro clínico terá sido provocado por uma grave arritmia cardíaca associada a uma infeção no coração.
Desde então, a casa real tailandesa manteve absoluto sigilo sobre a evolução do estado de saúde da princesa, alimentando um clima de apreensão dentro e fora do país. Reservada, disciplinada e amplamente preparada para funções institucionais, Bajrakitiyabha era considerada uma das figuras mais respeitadas da atual geração da monarquia asiática.
Licenciada em Direito e com especializações pela Cornell University, nos Estados Unidos, construiu um percurso marcado pela atividade diplomática e pelo envolvimento em causas humanitárias. Trabalhou junto das Nações Unidas, exerceu funções como embaixadora da Tailândia na Áustria e ganhou reconhecimento internacional pela defesa de reformas no sistema prisional, sobretudo dirigidas a mulheres em situação de vulnerabilidade.
Nos bastidores da monarquia, o seu nome surgia frequentemente associado ao futuro da Coroa. Embora o rei Vajiralongkorn ainda não tenha anunciado oficialmente um sucessor, a princesa era vista por vários observadores internacionais como uma figura capaz de assegurar estabilidade à instituição num período de transformações internas.
A legislação tailandesa privilegia tradicionalmente os herdeiros masculinos, mas uma alteração constitucional aprovada em 1974 abriu caminho à possibilidade de mulheres assumirem o trono. Nesse contexto, Bajrakitiyabha passou a ser apontada como uma figura estratégica para o futuro da família real — quer diretamente na linha de sucessão, quer como eventual regente.

Figura moderna e discreta
Ao contrário de outras integrantes de famílias reais internacionais sujeitas a forte exposição mediática, Bajrakitiyabha construiu uma imagem mais sóbria e institucional. Adepta de atividade física e presença habitual em provas de longa distância, conciliava disciplina militar, atividade diplomática e um forte compromisso social.
Em 2021, recebeu do próprio pai a patente de general e assumiu a chefia de gabinete da guarda pessoal do rei, gesto interpretado como uma demonstração pública de confiança e prestígio no seio da monarquia.
A sua morte, para além do impacto emocional na família real, deixa um vazio significativo numa sucessão considerada particularmente sensível. O príncipe Dipangkorn, apontado como herdeiro presumível, raramente surge em compromissos públicos e há vários anos que é alvo de discretas especulações quanto à sua capacidade para assumir funções centrais na Coroa.
Com a morte de Bajrakitiyabha, a monarquia tailandesa perde não apenas uma princesa admirada, mas também uma figura vista como símbolo de equilíbrio, modernidade e continuidade institucional.
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