A condenação de Marius Borg Høiby (29), filho da princesa herdeira Mette-Marit (52), lançou a monarquia norueguesa numa das mais graves crises de imagem das últimas décadas. Mais do que um caso judicial mediático, a imprensa da Noruega apresenta o episódio como um verdadeiro choque institucional para a família real, tradicionalmente vista como uma das mais reservadas e respeitadas da Europa.
Esta segunda-feira, o Tribunal de Oslo condenou Marius a quatro anos de prisão por dois crimes de violação, violência em contexto de relação íntima, ameaças e outros delitos. A decisão surge após vários meses de julgamento e uma investigação que os jornais noruegueses descrevem como uma das mais extensas dos últimos anos envolvendo crimes sexuais no país.
Marius não esteve presente no Tribunal de Oslo para acompanhar presencialmente a leitura da sentença porque permaneceu detido na prisão, onde assistiu à decisão por videoconferência. Segundo a imprensa internacional, a Justiça norueguesa autorizou que acompanhasse o momento à distância devido a questões de saúde já documentadas pelos advogados Peter Sekulic e Ellen Holager Andenæs.
Segundo o diário Aftenposten, um dos casos considerados mais graves ocorreu na propriedade oficial de Skaugum, residência da princesa Mette-Marit e do príncipe herdeiro Haakon (52). O tribunal concluiu que uma das vítimas se encontrava incapacitada de reagir no momento da agressão.
A imprensa norueguesa sublinha igualmente o impacto emocional do caso sobre a futura rainha da Noruega. Nos últimos meses, Mette-Marit tem enfrentado um agravamento significativo da fibrose pulmonar crónica diagnosticada em 2018. O estado de saúde da princesa tornou-se de tal forma delicado que, segundo vários meios de comunicação noruegueses e internacionais, entrou numa lista de espera para transplante pulmonar.

Vida marcada por excessos
Sem desempenhar funções oficiais ligadas à Coroa, mas presença habitual em eventos associados à realeza durante vários anos, Marius acabou por se tornar o centro de um processo judicial marcado por acusações graves, relatos de violência, consumo de estupefacientes e episódios que há muito alimentavam rumores nos círculos sociais noruegueses. A decisão do tribunal confirmou a culpa em dois casos de violação, além de maus-tratos reiterados contra uma ex-companheira, ameaças e infrações rodoviárias.
O drama familiar ganhou contornos ainda mais delicados durante o julgamento. Em tribunal, Marius afirmou viver momentos de profunda angústia ao acompanhar à distância a deterioração da saúde da mãe enquanto permanece em prisão preventiva. De acordo com relatos reproduzidos pela imprensa europeia, o jovem terá mesmo afirmado que “cada visita pode ser a última”.
Outro dos aspetos amplamente explorados pelos jornais noruegueses prende-se com a relação turbulenta entre Marius e os meios de comunicação social desde a infância. O Aftenposten revelou que o filho de Mette-Marit foi mencionado em mais de 21 mil artigos ao longo da vida, sobretudo após o surgimento público das primeiras acusações. A defesa tentou utilizar a exposição mediática extrema como argumento para atenuação da pena, tese rejeitada pelo Ministério Público.
Apesar da condenação, Marius foi absolvido de duas outras acusações de violação. Ainda assim, o tribunal considerou provado que uma ex-companheira viveu durante anos num ambiente de “medo constante e insegurança”, descrição que teve forte repercussão na imprensa escandinava.
Até ao momento, o Palácio Real mantém silêncio absoluto sobre a condenação. Segundo analistas locais, a estratégia procura evitar ampliar uma crise que junta tragédia familiar, desgaste público e um momento particularmente frágil para Mette-Marit, cuja saúde suscita preocupação crescente dentro e fora da Noruega.
Ver essa foto no Instagram