O Royal Ascot é, por tradição, uma montra de cores vibrantes, chapéus extravagantes e elegância diurna. Contudo, este ano, a Duquesa de Edimburgo (61) decidiu seguir um caminho distinto. Ao lado do marido, o Príncipe Edward (62), Sophie surgiu com um clássico vestido preto de mangas bufantes da Suzannah London, combinando-o com acessórios brancos num visual monocromático.
Embora o modelo cumpra todos os requisitos exigidos pelo rigoroso código de vestimenta de Ascot — saia midi, decote discreto e chapéu —, a escolha da cor levantou questões. O preto, na tradição real, está historicamente reservado para períodos de luto ou eventos de gala noturnos.
A opção de Sophie contrastou de forma notória com as escolhas vibrantes de outros membros da família real, como a Princesa de Gales (44), que optou por um tom amarelo-limão. O contraste foi imediato e o impacto visual, inevitável, especialmente considerando que, dias antes, na cerimónia da Ordem da Jarreteira, a Duquesa tinha exibido um traje de tons suaves, muito mais alinhado com o espírito veranil.
A história por detrás do preto real
A resistência da monarquia ao uso do preto em contextos diários não é acidental. O tema remete para episódios marcantes da história britânica, como a famosa reação do Rei Charles III (77) ao ver a Princesa Diana (1961-1997) num vestido preto em 1981 — “Só quem está de luto usa preto!” — ou o protocolo rigoroso que obriga os membros da realeza a viajarem sempre com um traje negro na bagagem.
Esta regra tornou-se absoluta em 1952, após a morte do Rei George VI (1895-1952). Na altura, a então Princesa Elizabeth II (1926-2022) encontrava-se no Quénia e não tinha roupa adequada para o desembarque em Londres, tendo de esperar que lhe levassem um conjunto apropriado ao avião. Como explica a correspondente real Danielle Stacey (36), esta precaução visa garantir que a família real esteja sempre preparada para qualquer eventualidade, evitando uma situação de vulnerabilidade protocolar.
Apesar do peso da tradição, a realeza contemporânea tem vindo a flexibilizar estas normas. Se, na era vitoriana, o luto era um processo longo e rígido, a família real moderna adota períodos de luto muito mais curtos — habitualmente cerca de duas semanas.
Sophie de Edimburgo, ao escolher este conjunto preto e branco, parece ter preferido a elegância intemporal à superstição, reafirmando que, mesmo dentro da tradição, há espaço para uma interpretação moderna da moda. Ainda assim, no mundo dos royals, cada peça de roupa é uma mensagem, e o preto em Ascot será, sem dúvida, um dos momentos mais comentados da edição deste ano.
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