Após a entrevista de Noah Cruz (20) no programa “Júlia”, da SIC, que decorreu no passado dia 15 de junho, o tema da disforia de género rapidamente tomou conta das redes sociais e gerou um debate alargado na opinião pública portuguesa. Nesta edição da “Passadeira Vermelha”, o assunto voltou a estar em destaque, desta vez com um olhar muito pessoal e inesperado por parte do comentador David Motta (40), que aproveitou o momento para se abrir de forma surpreendente.
Num tema que continua a ser alvo de comentários redutores e preconceituosos, David Motta decidiu ir contra a corrente e partilhou a sua própria experiência de forma corajosa e desarmante: “Acredito que a disforia de género é um espectro muito grande. Eu próprio já fiz várias transformações físicas. Devo estar debaixo desse espectro da disforia de género porque era incapaz de me ver com os muitos pelos que tinha no corpo, era incapaz de me ver com uma figura mais masculina. Antes de fazer muitas coisas, cheguei a tomar banho às escuras. No entanto, não quero transicionar, não quero ser uma mulher. Porém, não me imagino a envelhecer como um homem”. A declaração, carregada de honestidade e vulnerabilidade, deixou o estúdio em silêncio e rapidamente se tornou um dos momentos mais comentados do programa nas redes sociais.
Ainda a debater sobre a autocompreensão de género e de si próprio, o comentador da SIC Caras sublinhou a importância de falar abertamente sobre estes assuntos, para que cada vez mais pessoas se consciencializem e para que o preconceito dê lugar à compreensão. David alertou ainda para o perigo que as limitações impostas pelos estereótipos de género podem gerar na saúde mental e no bem-estar de quem as vive: “Se eu não tomasse algumas precauções ou não tivesse feito algumas coisas que fiz, hoje teria uma figura com a qual não conseguiria viver. As pessoas gostam de resumir a ‘veste-se de mulher’. Não é assim — isso é uma imagem redutora. Eu visto-me de mim próprio, com aquilo com que me sinto melhor. Não posso dizer que daqui a três, cinco ou dez anos não me possa passar pela cabeça ir mais além”.
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