Com a partida de Bonnie Tyler (1951-2026), esta quinta-feira, dia 9, silencia-se uma das vozes mais inconfundíveis da história, imortalizada em hinos como Total Eclipse of the Heart. Porém, por trás da estrela que dominou as tabelas de vendas internacionais nas décadas de 70 e 80, existia uma mulher que enfrentou dramas pessoais longe dos holofotes, temas que a própria decidiu partilhar com o público em momentos de rara abertura.
Numa entrevista marcante concedida ao jornal The Guardian, em 2012, Bonnie Tyler abriu o coração sobre a sua vida familiar. Casada desde 1973 com Robert Sullivan (77), o casal optou inicialmente por adiar a paternidade em prol da fulgurante ascensão profissional da cantora. “Quando nos casamos, combinamos que esperaríamos sete anos antes de ter filhos, mas, quando esse momento chegou, a minha carreira estava em pleno auge”, recordou na altura.
Quando finalmente decidiram avançar, aos 39 anos, Bonnie enfrentou o desfecho mais doloroso: um aborto espontâneo após dois meses e meio de gestação. Seguiram-se tentativas infrutíferas que levaram o casal a aceitar que a maternidade biológica não aconteceria. Ainda assim, a cantora encontrou sempre um sentido de preenchimento na sua grande família: “Sou madrinha de cinco crianças, tenho 16 sobrinhos e 12 sobrinhos-netos, então nunca faltaram crianças na minha vida”.
Um trauma geracional e a influência da mãe
Na mesma conversa, a artista revelou que a dor da perda não era uma estranha na sua família. Bonnie recordou a história da irmã, Paulene, que nasceu morta — um episódio que assombrou a sua mãe, Elsie Hopkins, até ao fim da vida. A proibição de a mãe segurar o bebé ao colo, imposta pelas práticas hospitalares da época, deixou uma ferida que a cantora sentiu de perto: “A minha pobre mãe ficou de coração partido por causa disso até ao dia em que morreu”.
Foi, contudo, a força dessa mesma mãe que moldou o destino de Bonnie. “Acredite em si mesma, porque ninguém fará isso por si”, foi o conselho que a artista carregou desde a juventude até ao topo do mundo. Uma máxima que, aliada à premissa de “manter a família unida”, serviu de alicerce para a sua carreira e para a forma como, mesmo no auge da fama, nunca esqueceu as suas raízes, chegando a garantir o bem-estar financeiro de toda a sua família.
Hoje, recordamos Bonnie Tyler não apenas pela potência da sua voz, mas pela resiliência de uma mulher que, mesmo entre as sombras da dor, sempre encontrou o conforto na união familiar.
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