O início do julgamento de José Castelo Branco (63), que teve lugar a 25 de junho, ficou marcado pela expectativa em torno dos depoimentos centrais do caso. No entanto, a sessão não decorreu como previsto: José Castelo Branco, presente por videochamada, optou por exercer o seu direito ao silêncio, enquanto Betty Grafstein (97) não compareceu à audiência por se encontrar debilitada.
A defesa da vítima, representada pela advogada Maria Golovatenko Simões, justificou a ausência de Betty Grafstein com o seu estado de ansiedade elevada perante o julgamento. Embora tenha sido apresentado um relatório médico ao Tribunal de Cascais, o documento acabou por não ser aceite pela juíza por não estar traduzido para português. Foi, por isso, concedido um novo prazo para a entrega de uma versão oficial do documento.
Para a magistrada, o depoimento da socialite é a peça fundamental deste processo. Tratando-se de um crime que, alegadamente, ocorreu “entre quatro paredes”, a juíza sublinhou que todos os outros testemunhos serão meramente complementares, sendo o testemunho da vítima essencial para o apuramento da verdade.

A estratégia da defesa
À saída do tribunal, Fernando José da Silva, advogado de José Castelo Branco, salientou a importância de ouvir a versão de Betty Grafstein, notando que, até à data, a vítima nunca prestou declarações formais perante uma autoridade judiciária.
Questionado sobre se a ausência de um depoimento da socialite poderia beneficiar o seu cliente, o advogado mostrou-se cauteloso e até expectante: “Gostaria de ouvir as declarações dela porque tenho muitas dúvidas mesmo que as declarações dela confirmem o conteúdo das acusações“, afirmou, acrescentando que não considera a falta de depoimento, por si só, uma vantagem para o “Conde”.
A próxima audiência está agendada apenas para o dia 22 de setembro. Existe ainda a possibilidade de o julgamento vir a decorrer à porta fechada, um requerimento apresentado pela acusação que ainda terá de ser apreciado pelo tribunal.