Em todos os seus projetos, Artur Miranda e Jacques Bec regem-se pela total ausência de tendências. No showroom/escritório que os designers de interiores têm no Porto, esta máxima foi aplicada com precisão e audácia. Até porque só aqui passam um terço do seu tempo. O restante é aproveitado para “percorrer o mundo em trabalho” e sugar o que de melhor os outros povos têm para dar. “Pode passar por simplesmente descobrir artistas talentosos, percecionar as evoluções de comportamento e estilos de vida, inspirarmo-nos num concerto ou, simplesmente, encontrar o aroma perfeito”, assumem.
No showroom, com 400m, a dupla tira o maior partido dos detalhes. “Criámos espaços harmoniosos com peças que, conceptualmente, seriam incompatíveis. É o caso da obra Fraulein Dracula, de Jonathan Meese, acompanhada pelos cadeirões de inspiração japonesa de James Mont; o candeeiro de mesa Stilnovo 8083, de 1960, ou o carismático jarrão com base Eighteen with a Bullet, de Eduardo Sarabia. Tudo é possível, desde que gostemos”. Num espaço de requinte, onde a forte ligação à arte é notória, o azul surge dominante, mas o intenso mármore das paredes também ganha expressão, permitindo encontrar o equilíbrio perfeito e “receber, na perfeição, qualquer tipo de objeto”.
A iluminação e a sombra, na opinião destes profissionais, são indissociáveis e devem obedecer a determinadas regras. “No showroom optámos por uma atmosfera tranquilizante, é onde recebemos os clientes. O escritório é mais enérgico, mais claro, nos espaços privados, o ambiente é confortável para pausarmos”, explicam os designers para quem estética e conforto são essenciais.
Decoração: Oito em ponto
Jacques Bec e Artur Miranda definem o espaço de trabalho, onde apenas passam um terço do seu tempo, como um "veículo de transporte das suas ideias".