Luís Ahrens Teixeira, de 35 anos, sempre viveu em função dos seus sonhos. Apaixonado pelo remo, o antigo atleta dedicou mais de uma década da sua vida aos horários e ritmos rigorosos que a alta-competição exige. Depois dos campeonatos, Luís continuou ligado a esta modalidade, mas de outra maneira. Actualmente gere a Herdade da Cortesia Hotel, em Avis, uma unidade hoteleira que acolhe várias equipas internacionais de remo durante os seus estágios. Entregando-se totalmente a este novo projecto, o empresário deixou a sua vida em Lisboa e mudou-se para o Alentejo. De sonho em sonho, Luís tem contado sempre com o apoio incondicional da mulher,
Madalena, de 27 anos. Desde os tempos de namoro que a advogada tem vivido também as aventuras do marido, abdicando, por vezes, dos seus projectos profissionais. Foi sobre uma vida em que os sacrifícios e alegrias são sempre vividos a dois que falámos com este casal, para quem o casamento continua a ser o projecto mais importante de todos.
– A sua vida tem sido dedicada aos seus projectos profissionais. Como concilia isso com o casamento?
Luís – Tenho conciliado com algum desequilíbrio. O que me tem valido tem sido o apoio inacreditável da minha mulher. Mas agora chegou a minha vez de suportar os sonhos da Madalena, que acabam também por ser os meus sonhos.
– Durante 12 anos foi atleta de alta-competição. Nunca se sentiu sufocado por uma vida tão rígida?
– Não, porque aquele estilo de vida é viciante. Era uma vida muito metódica e disciplinada, e eu gosto disso. Gosto de ter uma vida com objectivos e, para os cumprir, temos de ter regras. E acontece o mesmo hoje em dia com o hotel. É preciso fazermos sacrifícios.
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– Desde que começou a namorar com o Luís, aos 17 anos, que os sacrifícios dele também têm sido um bocadinho seus…
Madalena – Sim… Os sacrifícios dele acabaram por ser os meus. Aprendi a ceder e a adaptar as minhas expectativas. Quando o Luís praticava remo, tinha de perceber as ausências dele e tivemos de construir um namoro à distância. Vivíamos em função da vida do meu marido. E agora acaba por ser um bocadinho a mesma coisa. Sempre vivi em Lisboa e agora deixei tudo para vir para o campo. É difícil, mas também dá muito gozo tentar conciliar os nossos dois mundos.
– Não será um bocadinho egoísta estarem a construir uma vida em função dos seus sonhos?
Luís – Sim, tenho sido egoísta. Por isso é que sinto necessidade de mudarmos de atitude e de ser eu a ajudar a Madalena a realizar os seus projectos.
– E por que quer mudar de atitude?
– Os projectos têm sido tão exigentes em termos de tempo que às vezes esquecemo-nos de olhar para quem está connosco. E quando trabalhamos muito, sentimos necessidade de voltar a apreciar as coisas simples da vida, que são, muitas vezes, as mais importantes. E o meu casamento é a minha prioridade.
– Pode dizer-se que a dedicação da Madalena à sua vida é uma prova de amor…
– É uma grande prova de amor e é também um mistério, não sei como é que a minha mulher tem aguentado viver há onze anos em função dos meus projectos.