
Catarina Furtado e João Reis
Luís Coelho
É conhecido o inconformismo de
João Reis perante a vida, pelo que a personagem que encarna no monólogo
A Febre não poderia assentar-lhe melhor. É o primeiro monólogo do actor, onde dá vida a um homem de classe média nova-iorquina que viaja para um país pobre em plena guerra civil e tenta descobrir qual a melhor forma moral de viver. A estreia aconteceu no Teatro Aberto e contou com a presença da família do actor, incluindo a mulher,
Catarina Furtado, e a filha mais velha de João,
Maria, de 13 anos, as espectadoras mais entusiastas no fim de hora e meia de espectáculo. "
Com estes anos de carreira que o João tem, já sente o tipo de segurança que lhe permite concentrar-se no essencial e na procura da intenção do texto. Neste caso, há um conjunto de palavras fortíssimas que abanam, de certa forma, a estrutura de cada um. Ele trabalhou muito e, na altura em que se estreou, em Guimarães, foi uma noite muito bonita e mágica, que acabou por se revelar da mesma maneira que hoje. Acho que esta personagem tem algumas parecenças com o João, pois ele não tem receio do que diz, é um inconformado e, nos dias que correm, isso vale imenso, pois as pessoas têm imenso medo", comentou Catarina.
No final do espectáculo, após ter sido presenteado com os carinhos da filha, João estava satisfeito: "
Correu muito bem. Estou exausto, mas é por uma boa causa. [risos] Este é um belíssimo texto que acabou, felizmente, por vir ao meu encontro através do
Marcos Barbosa."
Como seria de esperar, o actor estava bastante satisfeito com a presença da família na plateia e, acima de tudo, com a lição que esperava que a filha pudesse tirar deste espectáculo.
"Há neste texto algumas coisas que podem fazer a Maria pensar e para as quais lhe chamo a atenção quase todos os dias. E ter a família presente é, naturalmente, um aconchego."