O Rei Felipe VI (58) de Espanha concedeu a Ordem do Tosão de Ouro ao ex-Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa (77). A notícia foi publicada ontem, dia 22 de julho, no Diário Oficial do Reino e deverá ser formalizada numa cerimónia oficial nos próximos meses.
O “clube” é um dos mais prestigiados do planeta e conta atualmente com apenas 19 membros, incluindo a antiga Rainha Beatriz dos Países Baixos (88), o Rei Harald V da Noruega (89) e o antigo presidente francês Nicolas Sarkozy (71). Amigo de Espanha e do casal real, o ex-chefe de Estado português junta-se assim a uma das ordens mais antigas e distintas do mundo. O monarca espanhol atribuiu esta distinção a apenas cinco outras pessoas desde a sua ascensão ao trono.

Marcelo Rebelo de Sousa presidiu à República Portuguesa de março de 2016 a março deste ano, altura em que cessou funções após o fim do seu mandato. Durante a sua presidência, a relação entre os dois chefes de Estado ultrapassou a mera diplomacia. Marcelo visitou Espanha 13 vezes, mas foi em 2018, aquando de uma visita de Estado a Madrid, que a amizade com Felipe VI ficou evidente. Em fevereiro deste ano, na reta final do seu mandato, o estadista foi convidado para uma visita de despedida e para uma receção especial no Palácio Real – um feito inédito, uma vez que tal honra nunca tinha sido concedida a um líder político estrangeiro.
A estreia internacional da Princesa Leonor (20), herdeira do trono espanhol, deu-se precisamente no Palácio de Belém, em Lisboa, em julho de 2024. O momento demonstrou a enorme confiança entre as duas casas de Estado, sentimento que voltou a ser reforçado no ano seguinte com um encontro entre Marcelo Rebelo de Sousa e a Infanta Sofia (19), quando esta se mudou para a capital portuguesa para iniciar os seus estudos de ensino superior.
Curiosamente, a criação da Ordem do Tosão de Ouro teve dedo português: nasceu na Idade Média aquando do casamento de Filipe, o Bom, Duque da Borgonha, com a Princesa Isabel de Portugal. Inspirado pela Ordem da Jarreteira britânica, a ideia do duque era distribuí-la tanto por vassalos como por aliados para garantir apoio contra as pretensões dos seus vizinhos. Com o passar das sucessões dinásticas, a soberania da ordem passou para os Habsburgos e, mais tarde, para os Bourbons de Espanha.
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