Foi com tristeza e
consternação que familiares e amigos se despediram do guitarrista Raul Nery,
de 91 anos, que morreu no passado dia 14, na sua casa, em Lisboa. O velório,
que teve lugar na Igreja de S. João de Deus, no mesmo dia, reuniu dezenas de
fadistas e músicos. “O Raul já tinha deixado de tocar há uns largos anos,
mas era um dos melhores guitarristas que o fado já conheceu. Era um dos
guitarristas com mais alma e, para muitos, foi o melhor acompanhador de todos”,
referiu João Braga.
Também Camané teve o privilégio de ser acompanhado por Nery, e foi com
carinho que o recordou: “O Raul fez parte do conjunto de guitarristas mais
importante do fado. Era uma pessoa muito simpática e educada, cantei somente
uma vez com ele e jamais me esquecerei. É sempre um prazer ouvir os seus
discos.”
Pai de Rui Vieira Nery – ex-secretário de Estado da Cultura, musicólogo
e principal impulsionador da candidatura do Fado a Património Imaterial da
Humanidade –, Raul Nery, que era engenheiro de profissão, criou em 1959 o
primeiro conjunto de guitarras de fado, que integrava ainda José Fontes
Rocha, Júlio Gomes e Joel Pina.
No passado dia 10 de junho, Raul Nery tinha sido condecorado pelo Presidente
da República, Aníbal Cavaco Silva, com a Ordem de Mérito, grau de
comendador.
Último adeus a Raul Nery junta família e figuras do fado
“Era um dos guitarristas com mais alma e, para muitos, foi o melhor acompanhador de todos.” (João Braga)