Quando Hugh Richard Louis Grosvenor fez 21 anos, o seu pai, Gerald Grosvenor, 6.º duque de Westminster, amigo próximo da família real e um dos maiores terratenentes do Reino Unido, organizou uma festa nos imensos jardins de Eaton Hall, uma propriedade magnífica, na região de Cheshire, que pertence à família há 900 anos. A festa custou cerca de seis milhões de euros e reuniu 800 convidados, mas, ao contrário do que seria de esperar, 80% deles eram empregados da família, e não membros da alta sociedade. Quanto aos outros 20%, eram sobretudo amigos do aniversariante, entre eles os príncipes William e Harry e mais uns quantos jovens aristocratas, mas também antigos colegas de colégio e do curso de Agronomia que então frequentava na Universidade de Newcastle. Destes últimos, poucos eram os que sabiam que o rapaz que tratavam por ‘Hughie’ e ao lado do qual se sentavam nas aulas tinha sangue azul dos quatro costados e era o herdeiro de uma das maiores fortunas de Inglaterra.
Apesar de pagar rodadas aos amigos com muita frequência, Hugh, que ocultava o título de conde Grosvenor que lhe pertencia de direito nessa altura, fazia questão de ser um rapaz comum. E assim continua oito anos depois, transformado, pela morte do pai, em 2016, em Sua Graça o 7.º Duque de Westminster e no homem mais rico do mundo com menos de 30 anos. Com uma fortuna estimada em mais de nove biliões de euros, que o pai acautelou com a criação de fundos fiduciários, o jovem não quis integrar a administração das várias empresas familiares, sobretudo do ramo imobiliário, hoje espalhadas por 62 países, preferindo continuar a trabalhar como agrónomo por conta de outrem numa empresa que transforma borra de café em bioenergia. Uma prova de que seguiu à risca uma frase que o pai disse um dia a um amigo: “O meu filho nasceu com a melhor colher de prata que se pode ter, mas não vai passar a vida a comer com ela.”
A discrição de Hugh Grosvenor, provavelmente o solteiro mais cobiçado do mundo, mas do qual pouco se sabe a não ser que mantém há cerca de dez anos uma relação intermitente com Harriet Tomlinson, de 28 anos, consultora numa importante firma de imobiliário, e que gosta de jogar críquete, certamente em muito se deve ao mau exemplo do seu pai. Casado desde 1976 com Natalia Phillips, tetraneta do czar Nicolau I da Rússia e descendente direta – tal como Isabel II e o marido desta, o príncipe Filipe – do rei Jorge I de Inglaterra, Gerald Grosvenor aparentava ser um irrepreensível marido e pai de família, mas a verdade é que era descrito pelos amigos como um playboy incorrigível, com um estilo de vida feito de carros velozes, amantes e champanhe ao pequeno-almoço. Não é por isso de estranhar que no final dos anos 80 tenha estado envolvido num imenso escândalo ligado a uma rede de prostituição internacional que levou à destituição do então governador do Estado de Nova Iorque, Eliot Spitzer.
Para evitar mexericos e escândalos, Hughie é muito cauteloso nas atitudes e, apesar de frequentar as festas da alta sociedade, raramente é fotografado. Entre essas raras exceções contam-se o batizado do filho mais velho de William e Kate Middleton, o príncipe George, do qual foi um dos padrinhos, ou o casamento do príncipe Harry.
As suas duas irmãs mais velhas, Tamara e Edwina, e a mais nova, Viola, que também herdaram uma fortuna considerável, mantêm igualmente um estilo de vida completamente low profile.