
Conversar com Ruth Manus é meio caminho andado para nos questionarmos sobre as nossas ações, a forma como educamos os nossos filhos ou nos relacionamos com os pares. Advogada de formação e ativista por convicção, a brasileira, de 34 anos, lembra que, ao evitarmos oferecer uma bola de futebol a uma menina ou uma boneca a um rapaz, por exemplo, poderemos estar a contribuir para estereótipos de género. Formada em Direito, com uma pós-graduação em Direito Europeu e mestre em Direito do Trabalho, com ênfase no trabalho feminino, Ruth vive entre São Paulo, onde nasceu, e Portugal, país pelo qual se apaixonou há vários anos e onde diz sentir-se em casa.
A propósito do lançamento do Guia Prático Antimachismo, o nono e mais recente livro a nascer das suas mãos, marcámos encontro com Ruth no seu apartamento, em Campo de Ourique, Lisboa, dias antes de voltar a partir para o Brasil, onde, em março, deverá nascer o filho, Joaquim. “Fez o 17.º voo dele na minha barriga e a médica já está meio zangada comigo, por isso já não vou regressar a Lisboa antes dele nascer”, conta a escritora, que terá o desafio de criar um menino num mundo que deseja antimachista. “Apesar de a sociedade procurar a igualdade de género, ainda há quem defenda que as mulheres são inferiores ou que o seu desempenho é limitado. A mulher deixou de ser uma figura indefesa e desamparada, que deve ser protegida enquanto cuida dos filhos e do lar, para se estabelecer como uma figura igual e com os mesmos direitos e possibilidades que o homem”, defende Ruth.