
Do alto dos seus 1,83 m, Hélder Afonso deu nas vistas na Fonte da Telha, onde passou um dia bem animado a convite da Intimissimi Uomo. Nesta Summer Experience da marca de roupa íntima masculina, o ator participou em duas atividades: aprender a fazer o seu cocktail favorito e a personalizar camisas de linho. Este último foi o seu workshop favorito e fazê-lo na Costa da Caparica teve “um sabor especial, por ter sido feito frente ao mar, pois tudo sabe sempre bem quando é feito ao pé da água”.
– Como é que um rapaz de Bragança chega a Nova Iorque para trabalhar como modelo?
Hélder Afonso – A moda apareceu por acaso na minha vida. Durante todo o tempo que trabalhei diretamente na moda, tive a oportunidade de me apaixonar por ela e vê-la como uma forma de arte, não só na perspetiva de quem cria tendências, mas também de quem usa, consome e contribui para ela. Viver em Nova Iorque sempre foi uma etapa que vi como progressão na carreira e um objetivo. Olhando para trás e vendo aquele miúdo que saiu de Bragança, nem pensava nisso, mas ao longo do tempo foram-se criando objetivos e desafios a alcançar e esse foi um deles.
– Já esteve em várias cidades europeias, há alguma em que gostasse de viver ou da qual guarda boas recordações?
– Existem duas que me tocaram de forma especial. A primeira foi Los Angeles, pelas vivências que tive lá. Fizeram-me dar um salto quântico enquanto pessoa, tive muitas aprendizagens que foram ouro para o meu crescimento humano e guardo muitas saudades e boas recordações dessa cidade, por essas razões. E a segunda é Paris. A cidade que respira arte por todo lado, é incrível ver e viver de um ponto de vista artístico. A própria cidade vive e sente a arte de uma forma muito especial. E isso, para mim, foi muito mágico de se viver.
– Já fez de hippie na novela da SIC A Serra e de padre na série da RTP Braga. Agora é um lisboeta a trabalhar nos Açores em Senhora do Mar. Na diversidade está o ganho?
– A verdade é que nunca pensei ter tanta diversidade no início da minha carreira, por isso diria que sim. É algo que prezo muito porque me faz crescer profundamente enquanto ator. Falta o transmontano ou o agricultor.
– O seu David Monteiro na novela de horário nobre da SIC parece ser bom rapaz, mas mente com muita facilidade… Poderemos considerá-lo um (quase) vilão?
– Só parece bom rapaz mesmo. Considero o David um vilão que sabe ser cordeirinho e sabe passar pelos pingos da chuva, mas como se diz na cultura popular, a mentira tem perna curta e mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo.

– Todos os seus colegas de elenco dizem que gravar na ilha Terceira é das melhores coisas deste trabalho. Partilha da mesma opinião?
– É um privilégio filmar na Terceira, é uma ilha mágica cheia de pessoas incríveis, fomos sempre bem recebidos e acolhidos. Partilho da opinião dos meus colegas, seguramente. É também um privilégio porque, como estamos semanas seguidas na ilha, temos a oportunidade de conhecer e criar vínculos com os nossos colegas, trocar perspetivas e experiências juntamente com toda a equipa. Isso vale ouro!
– Representar era um sonho de menino?
– Era, sim, um sonho de menino. A moda apareceu na minha vida e fez-me esquecer um pouco esse fascínio que tinha pela representação. Mais tarde a representação acabou por aparecer de novo e sinto-me extremamente grato por isso.
– Ser modelo ajuda-o na arte da representação ou nem por isso?
– Ajuda muito, aquilo que trago de mais valioso da moda é a fisicalidade. A moda foi importante para conhecer muito bem o meu corpo e saber como usá-lo. Sinto que há cenas em que tenho mais facilidade em exprimir-me fisicamente, precisamente porque tenho esta consciência corporal.
– E ser bonito pode ser desvantajoso?
– Não acho desvantajoso, mas também não o vejo como uma vantagem. O que cada vez mais conta é a energia que o ator tem em cena, aquilo que é capaz de transmitir e o seu grande profissionalismo.

– Esteve num evento da Intimissimi Uomo. Dá importância à escolha da roupa íntima que usa? Que cores prefere? E o que não gosta mesmo de vestir?
– Dou uma grande importância, porque é a primeira linha de contacto com a nossa pele, primo pelos materiais e gosto de usar sempre cuecas. Gosto de cores neutras, não complico muito.
– Se lhe oferecerem uma peça mais íntima fica contente?
– Fico, claro, mas por ser algo tão nosso, tão íntimo, prefiro ser eu a escolher.
– E também dá de presente a alguém do seu sexo ou tem vergonha de o fazer?
– Não tenho vergonha, mas às vezes pode ser um pouco evasivo, mas gosto sempre de surpreender com uma boa roupa interior.