
Com 71 anos de idade e cerca de meio século de atividade, Paulo Cardoso orgulha-se de ser um astrólogo que se fundamenta nesta sabedoria milenar. Hoje está mais voltado para o ensino e quer deixar como legado todas as suas obras escritas e pintadas no seu site, paulocardoso.com, onde, garante, irá “disponibilizar para o mundo os cerca de 2700 papéis astrológicos de Fernando Pessoa e as minhas impressões”.
– O que despertou o seu interesse pela astrologia?
Paulo Cardoso – Desde que me lembro que tive alguma curiosidade, mas, como sempre me interessei por áreas mais “palpáveis”, como a matemática, a química, a física nuclear e por aí adiante, fiquei meio desconfiado. Até que, teria eu cerca de 20 anos, uma amiga trouxe-me de Paris um estudo feito por computador, nos Champs-Élysées, e que tinha o nome de Astroflash. O que se passou a seguir foi algo de notável: fiquei estarrecido com esse estudo! Como é que algo feito a milhares de quilómetros de distância, e apenas com os meus dados de nascimento, me poderia descrever tão profundamente e narrar aquilo que eu era de facto.
– Começou aí o fascínio…
– Daí em diante o meu desejo foi descobrir os fundamentos e como funcionava a interpretação de um mapa astral. Por coincidência, outra amiga, a Elisa Soares, mostrou-me dois livros que permitiam fazer esses cálculos e a respetiva interpretação. E confirmei aquilo que já me tinha admirado antes: havia de facto uma relação muito fiel entre aquilo que eu era e o que vinha narrado no meu horóscopo (outro dos nomes que se usam para designar o mapa astral). Como não sou de ficar quieto, resolvi fazer os cálculos para todos os meus amigos e família e os resultados continuaram a ser espantosos e surpreendentes. Depois de ter feito algumas centenas de interpretações, rendi-me à evidência: estava ali um filão que eu desconhecia. A partir daí, até montar um pequeno consultório foi um ápice. Naquela época não havia praticamente ninguém a dedicar-se a esta filosofia e eu tinha o caminho completamente aberto para seguir por ali.
– O que podemos esperar astrologicamente para o ano de 2025?
– Aquilo que me distingue da grande maioria dos astrólogos é que tento ir aos fundamentos desta sabedoria milenar. E já nos anos 70 do século XX, precisamente o astrólogo francês que havia criado o já referido Astroflash, de nome André Barbault, escreveu uma obra que me deixou simultaneamente extasiado e perplexo. Nela, ele explicava que as grandes concentrações planetárias que se verificaram nas duas guerras mundiais, na Grande Depressão, etc., do século passado, se iriam verificar de novo pelos anos 20 do século XXI. O que acontece é que quando grande parte dos planetas do sistema solar estão muito juntos entre si criam um enorme desequilíbrio energético e a consequência está à vista de todos nós desde 2019… É possível que esta grande dissonância planetária se vá desvanecendo pouco a pouco, embora não dê facilmente muitas tréguas a uma parte da humanidade.
– Consulta os astros antes de tomar decisões importantes?
– Só quando estou muito indeciso ou muito fragilizado. Isto porque entendo tão bem o meu horóscopo que esse conhecimento me transmite alguma paz e esperança acerca do meu próprio futuro.

– Acredita que o amor e as relações pessoais estão predestinadas pelos astros?
– Claro que sim! Esse é um tema dos mais apaixonantes em astrologia. De tal forma que no meu curso de astrologia tenho um módulo especialmente dedicado a esse assunto. É incrível como os alunos ficam arrebatados quando começam a comparar os seus mapas com os dos namorados, com os familiares e assim por diante. Este ano foi a vez de estudar os mapas comparados entre Carlos III e Camilla, e, também, para analisar a relação entre ele e a princesa Diana. É deslumbrante perceber o que os astros lhes haviam predestinado e as datas em que os incidentes se verificaram tinham muita razão de ser.
– Analisaram outros casos?
– Sim, houve um incrível. Refiro-me à análise do mapa da princesa Stéphanie do Mónaco, e das suas diversas relações. O que a levou a ser como é, e aquilo que ela foi atraindo para a sua vida amorosa, está perfeitamente “escrito” nos seus astros.
– Mais algum digno de referência?
– O caso espantoso da cantora Céline Dion, o seu relacionamento com o marido, a morte dele, e sobretudo o reaparecimento dela nos Jogos Olímpicos de Paris no verão de 2024, exatamente quando os seus planetas deixavam a chamada, em astrologia, “casa da morte” e iniciavam um novo ciclo de renascimento, a chamada casa nove, fase em que o ser poderá ressurgir, após um período de trevas. As aulas ficaram todas gravadas em vídeo para poderem mais tarde ser revistas pelos interessados, ou mesmo pelos que quiserem fazer cursos online, à distância. A propósito disso, se alguém quiser assistir a uma aula do meu curso, fica desde já convidado. Só preciso de saber com antecedência para poder estar preparado para a respetiva logística.
– Já teve uma previsão que mudou a sua vida?
– Há bem pouco tempo aconteceu uma coisa que, mesmo fazendo astrologia há tanto tempo, me transtornou profundamente: quando escrevi o livro para 2021, durante o verão de 2020, e estava a fazer os cálculos para aquele ano, percebi que a minha mãe viria a ter um ano especialmente frágil, delicado, e avisei os meus irmãos dessa predisposição. Como sempre, o livro veio a público em novembro do ano anterior, neste caso, de 2020. Na tabela que incluo, obrigatoriamente, todos os anos, para os 12 signos, e referente aos 30 dias de cada um deles, indiquei que entre fevereiro e julho desse ano, e justamente para o seu dia de nascimento, a situação astral piorava marcadamente. O certo é que, sem que nada fizesse suspeitar, ela teve uma embolia pulmonar e veio a falecer em junho. Ainda hoje esta previsão me incomoda…Se eu não publicasse os vaticínios para os 365 dias e para os 12 meses do mesmo ano, o que dá um total de cerca de 4.200 cálculos anuais, eu nunca suspeitaria que aquele acontecimento, tão próximo, me viria a afetar.

– O que o motivou a deixar de dar consultas e a passar a dedicar-se exclusivamente ao ensino?
– Percebi que, depois de fazer tantos milhares de consultas, havia uma responsabilidade de partilhar esse conhecimento com alguém. Aprendi muito com os meus clientes, com as suas vidas, os seus sofrimentos e os seus êxitos. A certa altura nasceu em mim um desejo enorme de passar essa experiência a outros que, por circunstâncias várias não terão a oportunidade de aprender com essas mesmas experiências. Foram duas dezenas e meia de milhares de histórias de vida que ficaram registadas na minha memória (e em alguns apontamentos) e que corriam o perigo de se perderem. Obviamente que, sem mencionar qualquer nome das pessoas que me passaram no consultório, vamos estudando casos verdadeiramente reveladores e extraordinários. Cantores, atores, escritores, empresários, gente da noite, pessoas da televisão, da rádio, embaixadores, médicos, enfermeiros, políticos, professores universitários, advogados, sacerdotes e até criminosos. Conheci gente, tanto de uma grande humanidade como violenta e prepotente. Analisei os mapas astrais dos seres humanos mais sublimes e alguns que pertencem ao grupo dos mais desequilibrados e primários da nossa sociedade.
– É importante partilhar o conhecimento com as novas gerações?
– Por isto tudo o que acabei de dizer, eu não poderia seguir o tão habitual e frequente lema do “segredo profissional”, não partilhando com os outros estas experiências. Por enquanto, elas ainda habitam na minha memória, pois estão marcadas fortemente nas minhas emoções. Felizmente tenho uma boa memória, mas não sei até quando.