O mundo da fotografia e da arte está de luto. Sebastião Salgado, o fotógrafo brasileiro conhecido pelas imagens a preto e branco que captam a essência da condição humana e a beleza natural do planeta, morreu hoje, 23 de maio, em Paris, aos 81 anos.
“Sebastião foi muito mais do que um dos maiores fotógrafos de nosso tempo”, lê-se na nota de pesar partilhada no site oficial do Instituto Terra, um projeto de reflorestamento da Mata Atlântica fundado pelo próprio Salgado e pela mulher, Lélia Wanick. “Ao lado da sua companheira de vida, Lélia Deluiz Wanick Salgado, semeou esperança onde havia devastação e fez florescer a ideia de que a restauração ambiental é também um gesto profundo de amor pela humanidade. A sua lente revelou o mundo e as suas contradições; a sua vida, o poder da ação transformadora”.
Nascido em Aimorés, Minas Gerais, em 1944, Salgado formou-se em Economia e abandonou o trabalho enquanto secretário da Organização Internacional do Café para se dedicar à fotografia nos anos 70. A sua carreira foi marcada por projetos de longa duração que documentaram trabalhadores, migrantes e comunidades indígenas, sempre com um olhar sensível e comprometido.
Entre as suas obras mais emblemáticas estão Trabalhadores, Êxodos, Génesis e Amazónia. Este último projeto, lançado em 2021, foi resultado de 48 viagens à floresta amazónica, onde retratou a biodiversidade e as culturas indígenas da região.
No livro Êxodos, o fotógrafo escreveu: “Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoa fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas…”
Salgado recebeu diversos prémios ao longo da carreira, incluindo o Prémio Príncipe de Astúrias das Artes, em 1998, e 7 distinções do World Press Photo. Em 1992, foi eleito membro honorário da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos e, em 2016, foi eleito membro da Academia Francesa de Belas Artes.
Sebastião Salgado sofria de vários problemas de saúde. Além das dores crónicas na coluna que o incomodavam há 50 anos, o fotojornalista teve que lidar com uma leucemia causada por malária mal tratada na Indonésia, que o levou a afastar-se do trabalho de campo em 2024 para se dedicar à organização do seu vasto acervo fotográfico.