Habituada ao improviso, ao ritmo intenso do direto e a um humor que se tornou uma das suas imagens de marca, Inês Lopes Gonçalves (44) admite que continua a sentir o peso emocional dos grandes desafios. A poucos dias de conduzir a 15.ª edição dos Prémios Sophia 2026, a apresentadora falou com a Caras Portugal sobre ansiedade, exposição pública e os bastidores da principal gala do cinema português — sempre com a leveza que a caracteriza.
A cerimónia realiza-se esta sexta-feira, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e assinala uma nova fase para o cinema nacional. Longe de um discurso formal, Inês preferiu centrar-se naquilo que existe para lá do brilho do palco.
“Mexe comigo no sentido em que tenho à minha frente uma quantidade absurda de talento. Vou tentar que isso não me condicione, até porque, sendo em direto, não há pós-produção que me salve”, brinca.
O humor atravessa toda a conversa, sobretudo quando fala sobre o receio dos inevitáveis imprevistos em televisão. “Por muito preparado que esteja, o direto guarda sempre aquele 1% em que tudo pode acontecer. E convinha que não fosse uma queda minha, por exemplo”, diz, entre risos.
Apesar dos anos de experiência na televisão e na rádio, Inês admite que continua a existir aquele instante antes de entrar em palco em que tudo parece começar do zero. E nem aí perde a capacidade de ironizar consigo própria. “A experiência ajuda porque já consigo perceber que, à partida, não vou falecer”, afirma, antes de acrescentar: “Mas sinto sempre esse nervosismo e espero que nunca desapareça, porque também significa que nos importamos.”

Entre a responsabilidade e o humor
Ao longo da entrevista, a apresentadora mostrou ainda consciência do grau de exposição associado a uma gala transmitida em direto — sobretudo numa altura em que qualquer momento pode rapidamente tornar-se viral nas redes sociais ou alimentar o universo do entretenimento em Portugal.
Questionada sobre o facto de os Sophia poderem revelar um lado mais pessoal seu, Inês respondeu sem abandonar o tom descontraído. “Às vezes expomo-nos tanto que acabamos no ‘Extremamente Desagradável’ da minha amiga Joana”, comentou, numa referência ao formato humorístico de Joana Marques (40), conhecido por destacar momentos embaraçosos ou inesperados de figuras públicas.
Logo depois, voltou a brincar: “Felizmente, ela anda em digressão com o espetáculo dela, por isso acho que estou a salvo. Acho eu.”
Apesar da leveza, a comunicadora deixa claro que encara com seriedade a responsabilidade de conduzir uma noite tão simbólica para a cultura portuguesa. Segundo a própria, existe uma preocupação genuína em aproximar o público do cinema nacional sem transformar a cerimónia numa celebração fechada sobre si mesma. “Quando a noite terminar, gostava de sentir que se honrou verdadeiramente o espírito da cerimónia. Que quem faz cinema se sinta celebrado, mas sem que isto pareça uma festa privada que exclui quem está a ver em casa”, explica.
Inês falou também sobre o momento atual do cinema português e confessou sentir uma mudança na forma como o público olha para as produções nacionais. “Enquanto espectadora, o que sinto é que há uma nova força no cinema português. Talvez exista menos necessidade de validação externa e uma maior consciência do valor do que se faz cá.”
No final, entre reflexões mais emotivas e comentários espontâneos, a apresentadora resume aquilo que espera deixar no público depois da gala: “Vontade de ver filmes. Mais filmes portugueses. E orgulho no cinema português.”
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