A música espanhola vive um momento delicado com a morte de Manuel Arjona, um dos nomes ligados à formação original do Locomía. O artista morreu aos 58 anos, em casa, em Viladecans, na região de Barcelona. A causa da morte não foi divulgada, mas fontes próximas revelaram que Arjona passou o dia dedicado à pintura, uma das suas grandes paixões, antes de se deitar e não voltar a acordar.
A notícia, confirmada por meios espanhóis e por Xavier Font (63), fundador do grupo, reacendeu a memória de uma das fases mais exuberantes da música pop feita em Espanha. Nos anos 80 e 90, o Locomía tornou-se um fenómeno visual e musical, com uma estética imediatamente reconhecível: leques gigantes, ombreiras marcadas, sapatos pontiagudos e coreografias que cruzavam moda, dança e cultura de noite.

Uma figura discreta de um grupo inesquecível
Manuel Arjona foi um dos rostos da fase inicial do Locomía, projeto nascido em Ibiza antes de conquistar Espanha e a América Latina com temas como “Locomía”, “Taiyo” e “Rumba Samba Mambo”. Ao lado de Xavier Font, Luis Font (61) e Gard Passchier, ajudou a dar forma a uma imagem que, décadas depois, continua a ser lembrada como uma das mais ousadas da pop espanhola.
Nos últimos anos, Arjona mantinha uma vida mais reservada. Afastado dos grandes palcos, dedicava-se à pintura e à família, mas continuava ligado à memória afetiva do grupo. A sua morte surge num período em que a história do Locomía voltou a despertar interesse, graças a documentários e projetos audiovisuais que revisitaram os bastidores, os excessos, as rupturas e o impacto cultural da banda.
A despedida de Manuel Arjona ganha ainda maior peso por se somar à perda de outros antigos membros do grupo, como Santos Blanco (46), Frank Romero (46) e Francesc Picas (53). Para os fãs, fica a imagem de um artista associado a uma época de liberdade criativa, irreverência e festa — uma herança que atravessou fronteiras e que, pela proximidade cultural entre Espanha e Portugal, também encontrou eco junto do público português.
Discreto na nova fase da vida, mas inesquecível no imaginário pop, Manuel Arjona despede-se como parte essencial de uma história feita de música, imagem e ousadia. O Locomía marcou uma geração. E, com ele, Arjona continuará a fazer parte dessa memória luminosa.