O mundo da música despede-se de Bonnie Tyler. A cantora galesa, dona de uma das vozes mais marcantes da pop e do rock internacional, morreu aos 75 anos, num hospital em Faro, no Algarve, onde estava internada há vários meses. A notícia foi confirmada pela equipa da artista, que pediram respeito pela privacidade neste momento de luto.
Nascida a 8 de junho de 1952, em Skewen, no País de Gales, Bonnie Tyler chamava-se Gaynor Hopkins. Filha do antigo mineiro de carvão e veterano da Segunda Guerra Mundial Glyndŵr Hopkins e de Elsie Hopkins, cresceu numa família profundamente religiosa, tendo dado os primeiros passos na música ainda em criança, ao cantar na capela da sua comunidade. Em casa, porém, foi através dos irmãos que descobriu artistas como Elvis Presley, Frank Sinatra e os Beatles, influências que ajudaram a despertar a paixão pela música e que marcaram o início de uma carreira destinada a conquistar o mundo.

A morte acontece após um longo e delicado problema de saúde, que se agravou. Em maio, Bonnie Tyler foi submetida a uma cirurgia intestinal de urgência, depois de sofrer uma perfuração intestinal. O seu estado clínico complicou-se e obrigou os médicos a colocá-la em coma induzido. Em junho, a artista despertou, mas permaneceu internada na unidade de cuidados intensivos, com um prognóstico muito reservado. Nas últimas semanas, a equipa da cantora mantinha a esperança numa recuperação, ainda que lenta, tendo cancelado toda a agenda de concertos prevista para o verão.

Apesar da fragilidade do seu estado de saúde, Bonnie Tyler nunca deixou de acreditar que regressaria aos palcos. O seu último concerto realizou-se em março, em Londres, poucos dias antes de o seu estado se deteriorar drasticamente. Quem assistiu à atuação recorda uma artista cheia de energia, emocionada com o carinho do público e determinada a continuar a cantar.
Uma história de amor com Portugal
Bonnie Tyler já tinha criado uma ligação profunda a Portugal. Há vários anos dividia a sua vida entre o Reino Unido e o Algarve, região onde escolheu viver grande parte do ano ao lado do marido, Robert Sullivan, com quem era casada há mais de cinco décadas. A tranquilidade algarvia tornou-se o seu refúgio, longe dos holofotes internacionais.
Ao longo dos anos, tornou-se uma presença habitual no sul do país. Era frequentemente vista em restaurantes, marinas e eventos sociais da região, mantendo uma relação discreta, mas muito próxima, com residentes locais e empresários portugueses. Entre essas amizades destacou-se a do empresário algarvio Liberto Mealha, um dos seus amigos de longa data em Portugal.
Portugal ocupou também um lugar especial na carreira da artista. Bonnie Tyler atuou em várias ocasiões em território português, passando por festivais, casinos e salas de espetáculo, conquistando sucessivas gerações de admiradores. Mesmo depois de ultrapassar os 70 anos, continuava a incluir Portugal nas suas digressões sempre que possível.

Foi precisamente em Faro, cidade onde escolheu viver parte significativa da sua vida, que enfrentou a batalha mais difícil. A equipa médica do Hospital de Faro acompanhou a cantora desde maio, após a cirurgia de urgência, enquanto milhares de admiradores, em diferentes países, acompanharam diariamente as atualizações sobre o seu estado de saúde. Durante semanas, a família insistiu para que fossem ignorados rumores e especulações, apelando ao respeito pela privacidade da artista.
Com mais de cinco décadas de carreira, Bonnie Tyler deixa um legado incontornável na história da música internacional. Temas como Total Eclipse of the Heart, Holding Out for a Hero e It’s a Heartache atravessaram gerações e continuam entre as canções mais reconhecidas da música popular.
Agora, o país que escolheu como segunda casa despede-se também de uma das vozes mais inesquecíveis da história da música. Portugal não foi apenas o palco dos seus últimos dias: foi o lugar onde Bonnie Tyler encontrou serenidade, construiu amizades duradouras e escreveu um dos capítulos mais pessoais da sua vida.
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