Depois de um primeiro dia marcado pelos símbolos da amizade entre Portugal e o Reino Unido, o segundo dia da visita oficial dos Duques de Edimburgo mostrou que a deslocação de Edward (62) e Sophie (61) ao nosso país vai muito além das celebrações dos 640 anos do Tratado de Windsor.
Se na segunda-feira o casal real britânico percorreu Lisboa entre documentos históricos, manjericos e memórias de Elizabeth II (1926-2022), esta terça-feira ficou marcada pelas causas que ambos têm vindo a defender ao longo dos últimos anos: a juventude, a inclusão, a inovação e o papel da diplomacia na construção de um futuro mais seguro.
As causas que Edward trouxe para Portugal
A manhã começou em Carcavelos, na Escola St. Julian’s, onde o príncipe Edward contactou com jovens estudantes e atletas paralímpicos portugueses.
O irmão mais novo de Charles III (77) assistiu a atividades desportivas inclusivas, conheceu histórias de superação e acompanhou demonstrações de modalidades como o judo, a boccia e o atletismo adaptado. Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando o duque conversou com o judoca paralímpico Djibrilo Iafa (33), medalhado em Paris 2024, demonstrando conhecer o percurso do atleta e felicitando-o pelas suas conquistas.
A visita serviu também para destacar o impacto do Prémio Internacional Duke of Edinburgh em Portugal, programa que já envolveu mais de 90 mil jovens em mais de 50 escolas, universidades e instituições portuguesas.
Sophie dá voz às mulheres e aos líderes do futuro
Enquanto Edward se dedicava à inclusão através do desporto, Sophie participou no programa Model NATO, promovido pela Embaixada Britânica em Lisboa.
Perante estudantes universitários portugueses e britânicos, a duquesa abordou um dos temas que mais tem defendido internacionalmente: o papel das mulheres na paz e na segurança global.
Ao longo dos últimos anos, Sophie tornou-se uma das figuras mais empenhadas da família real britânica na luta contra a violência sexual em cenários de conflito e na promoção da participação feminina nos processos de decisão. Em Lisboa, voltou a colocar essas questões no centro do debate, ao mesmo tempo que escutou as ambições e preocupações de uma nova geração de líderes.

Dos atletas paralímpicos aos drones portugueses
Já durante a tarde, Edward e Sophie voltaram a reunir-se para uma visita à TEKEVER, empresa aeroespacial luso-britânica que se tornou uma referência internacional na área dos drones.
Mais do que uma demonstração tecnológica, a visita pretendeu evidenciar como a cooperação entre Portugal e o Reino Unido continua a produzir resultados concretos, desde a inovação à criação de emprego qualificado.
Os duques tiveram oportunidade de assistir a demonstrações de sistemas aéreos não tripulados e até experimentar o controlo remoto de um drone, numa das iniciativas mais invulgares da visita.
Um tributo à aliança mais antiga do mundo
O dia terminou num dos locais mais simbólicos da história luso-britânica: o Mosteiro da Batalha.
Ali, Edward depositou uma coroa de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, enquanto Sophie homenageou D. João I e Filipa de Lencastre, casal cuja união ajudou a consolidar a aliança entre Portugal e Inglaterra.
A escolha do local não foi por acaso. Além de representar um dos maiores símbolos da amizade entre os dois países, o Mosteiro da Batalha guarda também uma ligação especial à família real britânica. Foi ali que Isabel II esteve durante a histórica visita de Estado a Portugal, em 1957, uma memória que continua a marcar as relações entre as duas nações.
Mais do que uma simples visita oficial, o segundo dia dos Duques de Edimburgo mostrou como Edward e Sophie assumem hoje um papel cada vez mais relevante dentro da monarquia britânica. Longe dos grandes holofotes reservados a Charles III ou aos príncipes de Gales, o casal continua a ser uma das principais faces da diplomacia discreta da Coroa, reforçando alianças históricas e promovendo causas que considera fundamentais para o futuro.
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