A estreia de “A Madrasta” na TVI trouxe para Portugal uma das histórias de suspense mais icónicas da televisão ibero-americana. Liderada por Inês Castel-Branco (44), a novela acompanha Diana, uma mulher injustamente condenada por um homicídio cometido durante uma viagem a Marrocos, que regressa duas décadas depois para descobrir quem destruiu a sua vida.
Mas há um detalhe que torna esta produção ainda mais intrigante: ao contrário do que acontece na maioria das novelas, a identidade do assassino mudou várias vezes ao longo das diferentes adaptações internacionais.
Ao longo dos anos, “A Madrasta” foi produzida em vários países e transformou-se num fenómeno precisamente porque o público tentava descobrir quem era o verdadeiro culpado. Em algumas versões, a revelação tornou-se um dos momentos mais marcantes da história da televisão latino-americana.

O assassino mudou de país para país
A versão original chilena, exibida em 1981, terminou com uma revelação que chocou os espectadores. A assassina era Estrella, uma das amigas do grupo que participou na viagem onde ocorreu o crime. A personagem matou Patricia ao descobrir que a vítima estaria grávida e que o bebé poderia ser fruto de uma relação com o seu marido, Donato.
O sucesso foi tão grande que o último episódio se transformou num verdadeiro fenómeno social no Chile, com milhões de pessoas a tentarem adivinhar a identidade do culpado até aos minutos finais.
Quando a Televisa adaptou a história para o México, em 2005, decidiu alterar completamente a solução do mistério. Nessa versão, o assassino revelou-se Demetrio Rivero, advogado da família, que matou Patricia para impedir que vários segredos da sua vida fossem descobertos.
O caso raro da novela com dois finais diferentes
A versão mexicana de 2005 tornou-se tão popular que a produção decidiu gravar um segundo desfecho para uma reposição exibida posteriormente.
Assim, os espectadores que julgavam conhecer a resposta foram surpreendidos novamente. No final alternativo, a assassina passou a ser Fabiola, alterando por completo a resolução da história.
Poucas novelas na história da televisão tiveram a ousadia de gravar finais diferentes para manter o segredo até ao último momento, e A Madrasta tornou-se um dos exemplos mais famosos dessa estratégia.
E na versão da TVI?
É precisamente esta herança de mistério que a adaptação portuguesa pretende recuperar. A trama arranca com a morte de Artur durante uma viagem a Marrocos e com Diana a ser acusada injustamente do crime.
Durante 20 anos, a protagonista vive atrás das grades, enquanto os verdadeiros responsáveis mantêm um pacto de silêncio. Quando regressa, inicia uma investigação para descobrir quem a enviou para a prisão e qual dos antigos amigos esconde a verdade.
A grande questão é saber se a TVI seguirá alguma das versões anteriores ou se reservará uma nova identidade para o assassino. Se a história internacional da novela serve de indicador, os telespectadores não devem confiar em ninguém.
Em “A Madrasta”, a única certeza é que o culpado costuma ser a pessoa de quem menos se suspeita.
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