Sam Neill (1947-2026) deixou um legado incontornável na história do cinema, mas foi na sua vida pessoal que travou os papéis mais desafiantes. Após a sua morte, inesperada e repentina, veio a público um dos episódios mais marcantes da sua intimidade: o reencontro, após 25 anos, com o primeiro filho, Andrew (56), que o ator tinha entregado para adoção na juventude.
No final da década de 60, quando tinha pouco mais de 20 anos, Sam Neill viu-se perante uma encruzilhada. Sem se sentir preparado para a paternidade, tomou a decisão difícil de colocar o seu primeiro filho para adoção, uma escolha que carregou consigo durante décadas.
O destino acabaria por ditar um novo rumo em 1994, quando pai e filho decidiram procurar-se mutuamente. O reencontro, 25 anos depois, não foi marcado por dramatismos, mas sim por uma maturidade e serenidade que o ator recordou mais tarde com emoção em entrevista ao The Times. Questionado sobre o que diria ao seu “eu” mais jovem, Sam Neill foi direto: “Você é mais capaz do que pensa”.
Com o passar dos anos, a família do ator tornou-se uma estrutura vasta e unida. Além de Andrew, Sam Neill teve outros filhos e adotou a filha da sua segunda esposa, orgulhando-se de ter uma família “mais estendida do que a maioria”. Apesar de a exigente carreira por vezes o ter afastado dos seus, o ator nunca escondeu o profundo amor que nutria pelos filhos e pelos netos.

A resiliência perante a doença
Nos últimos anos, a vida de Sam Neill foi ensombrada por um novo desafio: um linfoma não Hodgkin. O ator, que enfrentou a doença com a mesma coragem com que encarou os seus papéis, revelou que conseguiu entrar em remissão graças a uma terapia celular inovadora (CAR-T), que modifica o próprio sistema imunitário para combater o cancro.
A recuperação foi celebrada como um símbolo da resiliência que sempre definiu a sua vida. Embora estivesse em remissão e livre da doença, o seu falecimento, aos 78 anos, apanhou todos de surpresa. A família não revelou a causa específica da morte, preferindo recordar o ator como um homem que, apesar das lutas pessoais e de saúde, encontrou na família e na serenidade o seu porto de abrigo.
Sam Neill deixa para trás não apenas personagens inesquecíveis, mas a memória de um homem que soube, acima de tudo, reconciliar-se com o passado e valorizar cada momento junto daqueles que amava.
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