
Depois da tempestade vem a bonança! E esta foi bem merecida por Ricardo Soler que, com a pandemia, viu adiada a concretização de um sonho. Este chegou, mais de um ano depois de ter sido escolhido para integrar o elenco do espetáculo “Musical – El Tiempo entre Costuras”. O musical original de Iván Macías e Félix Amador, com direção de Federico Barrios Fierro, prepara-se para se estrear no país vizinho e Ricardo vai dar vida à personagem de Manuel da Silva e mostrar todo o seu enorme talento na digressão que irá percorrer Espanha e terminar em Madrid.
De 0 a 10, como classificas a dificuldade da decisão de abandonares o certo pelo incerto e arriscares lá fora?
A dificuldade diria que esteve pelo 5 porque na verdade já me sentia demasiado estagnado no meu local de trabalho e sentia que as oportunidades que me eram dadas não me permitiam explorar as minhas capacidades na totalidade. Ao mesmo tempo a decisão de abandonar o certo e ir para fora deixou-me sempre apreensivo mas tinha sempre os “meus” para me dar força e apoiar.
Como recebeste a notícia de que tinhas passado no casting e o papel era teu?
Foi por telefone e faltavam cinco minutos para o meu treino no ginásio. Ao ínicio não queria acreditar, depois fiquei super feliz ao ponto de chorar e depois até fui para o treino com força extra!
Veio o confinamento e tudo mudou do dia para a noite. De que forma tornaste esse obstáculo numa fonte de crescimento pessoal e profissional?
Eu decidi aproveitar este confinamento para apostar na minha formação. Transformar algo mais sombrio em algo positivo. A aprendizagem online e a globalização têm esta vantagem e aproveitei para fazer imensos workshops e masterclasses com professores internacionais (Broadway/Gran Vía) e nestes últimos tempos fui várias vezes a Madrid fazer cursos presenciais e um deles com a protagonista do Wicked em Londres – Rachel Tucker.
‘El tiempo entre costuras’ foi das séries mais vistas em Espanha. A expetativa do público será por isso muito grande. Entre o nervosismo e a ansiedade, como achas que vais estar no dia de estreia?
É um livro incrível e a adaptação para série estava ótima! De resto tive a oportunidade de conhecer ontem a autora e este é um musical que promete. No dia da estreia, vou estar como estou sempre : nervoso, mas cheio de garra e de vontade de fazer o que mais gosto!
Tens alguma superstição para o dia de estreia?
Não tenho, apenas gosto de ligar aos meus pais, irmã e avó e pensar nos meus outros avós que já cá não estão e dedicar-lhes o espetáculo, tenho a certeza que iam adorar ver-me.
Como está o teu espanhol?
Falo espanhol fluentemente, na verdade o meu apelido vem mesmo daí : os meus bisavós eram sevilhanos e sempre ouvi muita música em espanhol em casa. Mas neste caso como vou fazer o papel de um homem português de negócios nos anos 40 tenho de falar “Portunhol” e esse vai ser o meu maior desafio porque vou ter que criar um híbrido entre as duas línguas.
Vais estar muito tempo longe de casa. Como vais gerir esse afastamento ou a casa de um homem é onde ele quiser?
Eu sou um homem do mundo. Falo várias línguas e adapto-me facilmente a vários ambientes. Ainda bem que as telecomunicações estão tão avançadas que posso fazer videochamadas e ir matando um pouco as saudades. Além disso os meus colegas de elenco são muito calorosos e fazem-me sentir em casa, estão sempre prontos para pedir que lhes tragas pastéis de Belém e lhes ensine palavras em português. É ótimo levar a bandeira de Portugal comigo para onde quer que vá.
Fala-me um pouco do teu papel nesta peça…
Nesta peça serei Manuel da Silva, um empresário português dono de vários negócios e que vai ter bastante peso no enredo. É um galã, um sedutor e consegue tudo o que quer, até que se cruza com a protagonista e mais não posso dizer. Queria ainda referir que este papel foi interpretado na série pelo saudoso Filipe Duarte que fez um DaSilva irrepreensível.
Quando te vamos ver em Portugal?
Para já estarei neste projeto em Espanha, trabalhar em Portugal é sempre um orgulho para mim. Veremos o que o futuro nos diz.
És a prova de que os sonhos se concretizam. Talento ou sorte? Ou uma combinação das duas?
É preciso talento, é preciso sorte mas acima de tudo é preciso trabalho e não ter medo de arriscar! Gosto muito de um provérbio japonês que diz “Um sapo num poço não conhece o vasto oceano” e finalmente estou pronto para nadar em águas mais vastas!