
Após quase um ano de quimioterapia, cirurgia e radioterapia, Diana Costa e Silva concluiu com sucesso os tratamentos contra um cancro na mama recidivo. A primeira batalha travou há oito anos, quando o filho mais velho, agora com 11 anos, era ainda bebé. “Passei por vários estádios emocionais. Desde pensar ‘o que é que a vida quer ensinar-me para estar a passar mais uma vez por isto? Porquê isto foi acontecer? Se houve uma segunda vez pode haver uma terceira?’. Tinha pouca hipótese de ter novamente cancro na mesma mama. Na primeira vez achei que tinha sido um episódio em que o meu corpo se tinha desprogramado e que jamais me voltaria a acontecer. Sempre fui supersaudável, nem constipada fico no inverno. Achei que tinha sido algo pontual, mas afinal não”, contou a atriz em entrevista à CARAS. Foi durante a fase de ensaios gerais para uma peça de teatro que descobriu novamente a doença.
“Fui diagnosticada quando estava na fase final de ensaios e prestes a estrear o espetáculo A Beleza das Empregadas Domésticas na Boutique da Cultura. Foi uma bomba! E acabei os tratamentos prestes a estrear o espetáculo A Grande Reunião no Teatro Meridional. Consegui fazer e fiquei muito feliz”. O regresso ao trabalho foi fundamental no final dos tratamentos. “As pessoas perguntavam-me: ‘Como é que aguentas ainda estar em tratamentos e em ensaios?’ Mas era justamente o contrário! Criar, trabalhar, estar com pessoas e com a minha cabeça em outro lado era o que me dava vida”, conta a artista, de 45 anos.
“Uma mulher fica careca. Num casal isto é muito forte. E nós tivemos sempre muito contacto físico, muito amor e juntos.”
Gerir as suas emoções e as da família foi mais complicado, especialmente com os filhos, de 11 e 2 anos. “Da primeira vez, o meu filho mais velho tinha a idade que agora tem o mais pequenino. Com 2 anos eles não percebem, apenas acham estranho a mãe estar de cabelo rapado. Com 11 anos, ele já ouviu a palavra cancro, já percebe que é uma coisa grave. O meu companheiro teve, pela segunda vez, medo de perder a mulher que ama e a mãe dos filhos. Tudo isto traz muito instabilidade. Temos que nos agarrar muito uns aos outros. Tenho muita sorte em ter um companheiro incrível que nunca desmoralizou [foi ele quem lhe rapou o cabelo]. Uma mulher fica careca, pouco sensual, perde a sua feminilidade. Num casal isto é muito forte. E nós tivemos sempre muito contacto físico, tivemos sempre muito amor e muito juntos. Sou uma sortuda. Acho que para uma mulher que passe por isto mais sozinha é muito duro”.
A atriz pode ser vista no papel de Ofélia na próxima série de época da RTP1 A Travessia. Brevemente, Dia-na irá regressar ao teatro como assistente de encenação do diretor artístico João de Brito na peça O Pior Professor do Mundo.
Nos últimos tempos, Diana tem-se dedicado ainda a causas humanitárias e de voluntariado. “Como ficamos nós mesmos numa situação vulnerável, acredito que estes abalos tornam-nos pessoas mais generosas. O que levo destas ‘lambadas’ que a vida dá é que tudo é efémero, absolutamente nada é certo. Aproveitem o agora e encontrem prazer nas pequenas coisas que têm. Não sejamos como o ‘burro atrás da cenoura’, sempre em busca de algo que ainda gostávamos de alcançar. Não! O mais importante são os momentos, as pessoas e cada vez mais me dedico aos meus. As relações humanas são a prioridade máxima.”