
No espaço de pouco mais de um ano, Matilde Reymão passou de uma atriz a dar os primeiros passos para duas protagonistas em novelas distintas, que a puseram no topo da carreira.
Depois de ter feito sucesso com Cacau, marca o regresso em A Protegida, ambas produções da TVI, e sente-se bafejada pela sorte.
Chegada aos 25 anos, que começou a comemorar antecipadamente em Paris, está convicta de que, por muitas pedras que possam existir no caminho, tem força para as ultrapassar e a segurança do amor de Nic von Rupp que a protege.
– Chega aos 25 anos como protagonista de uma novela meses depois de feito Cacau, que foi um estrondoso sucesso. Como se sente?
Matilde Reymão – Muito feliz. Não me poderia sentir de outra forma. E se já o estava desde que me convidaram para este projeto e começámos a gravar, depois de ver as primeiras imagens, estou sem palavras. A forma como tudo foi feito é brutal. Este é um grande presente. São 25 anos cheios de vida e de histórias para contar. E que bom que é esta minha nova personagem fazer parte. Tem-me trazido tanta coisa boa. Acho que tudo acontece no seu momento e a Mariana chegou no momento certo.
– De alguma forma, imaginava que a sua vida iria ser assim?
– Acho que não. A minha vida tem sido um sonho. Ainda há uns dias escrevi um texto sobre isso. Agradeço por cada dia, cada passo, cada conquista. Há cinco anos não imaginava que estaria aqui hoje. Ainda tenho muito para caminhar, mas estou orgulhosa de mim. Orgulhosa e, acima de tudo, grata por aquilo que tenho tido oportunidade de fazer.
– Há alguma coisa da Matilde na Mariana, a sua personagem?
– Talvez a resiliência, esta força, a garra que ela tem de não se deixar estar e de bater o pé e ir embora, mudar de vida e deixar tudo para trás sem medo. É uma personagem que vai tocar em muitas feridas e também é um mote para as pessoas se mexerem e quererem efetivamente acabar com a violência que existe sem ter medo de represálias.
– Está preparada para assumir outro papel com esta dimensão em tão pouco tempo?
– Sinto-me completamente preparada. Sou uma pessoa muito trabalhadora e amo aquilo que faço, então estava com muita vontade de voltar a trabalhar. Apesar de ter feito Cacau há pouco tempo, esta personagem não tem nada de semelhante, por isso vão ver uma pessoa diferente. Pelo menos, espero. É isso que estou a tentar entregar.
– O ritmo de Cacau foi muito exigente para si, quase a levou à exaustão. Arranjou estratégias para que estes próximos meses lhe sejam um pouco mais leves?
– Foi o primeiro papel de protagonista. Foi duro, não vou negar, mas, acima de tudo, prazeroso. Entretanto, aprendi e tenho tempos diferentes. Estou mais velha um ano e, sobretudo, estou mais consistente, madura. Esta personagem também me puxa essa maturidade. Cacau foi uma grande escola e hoje em dia relativizo mais as coisas. Continuo a trabalhar com muito empenho, continuo muito atenta, olhos e ouvidos bem abertos, porque aprendemos muito com quem nos rodeia, mas tenho outra serenidade.

– Consegue ter formas de escape?
– Sim, consigo. É importante termos o nosso trabalho e a nossa vida pessoal e não descurarmos nenhum dos lados para nos sentirmos bem. Claro que, nesta fase de arranque de um projeto, quando ainda estamos à procura de quem é a personagem, se calhar reservo mais tempo para o trabalho e menos para o pessoal, mas é como tudo na vida, importante é encontrar um balanço para me manter saudável. E como faço o que gosto, vou sempre encontrando esse equilíbrio.
– Os fins de semana são para si?
– São para mim e para a Mariana, mas está tudo bem. Estou supercontente por dividi-los com ela.
– Começou a celebrar o seu aniversário mais cedo, em Paris e na Disney, por algum motivo em especial?
– Deram-me folga na produção e foi uma escolha de última hora. Já tinha estado na Disney quando era mais nova e adorei. É o mundo da magia, bom para sair da intensidade e da complexidade dos dias de trabalho. Deixei-me ser criança por uns dias e celebrei a vida e os anos que vão passando.
– Foi com o seu namorado?
– Não. O Nico [Nic von Rupp] também tem a agenda dele. Estamos sempre juntos, mas esta pequena viagem fiz com uma amiga.
– O apoio dele e o facto de serem muito unidos é fundamental para si?
– Nós compreendemo-nos a todos os níveis e isso é muito bom. Eu admiro muito o que ele faz, ele admira o que faço e acho que este é um bom ponto de partida para as nossas vidas. Somos muito companheiros um do outro e ele já sabe no que está metido. Tudo vem no seu tempo. Quando acabar este projeto, voltamos a ter tempo só para nós e para viajar. Está tudo certo.
– Está noiva há uns meses. Já começaram os preparativos para o casamento?
– Ainda não comecei nenhum preparativo para o casamento. Estou 100% focada em A Protegida e em dar tudo de mim neste projeto para que dê certo e depois terei tempo para isso. É uma história com muito potencial, muita força, muitos temas importantes e desconcertantes para dar voz e isso deixa-me orgulhosa e muito compenetrada nesta fase.

– Nesta produção, a violência doméstica, o assédio nas mais variadas formas estão presentes de uma forma muito vincada.
– Porque é urgente falar nisso, é real e muito grave. Ter, de certa forma, a oportunidade de dar voz, de poder abrir olhos, é um privilégio. A violência doméstica não passa só pela violência física. Muitas vezes, a violência emocional tem mais peso e quem a sofre nem sempre consegue perceber. A manipulação, os olhares, as palavras não ditas, tudo isso afeta e é importante despertarmos. Ferem tanto ou mais do que uma agressão física. É dos temas que mais me tocam e mais me movem, por isso sou uma sortuda por me ter chegado esta Mariana forte, que não aceita isso, que não se deixa ficar e está pronta para o confronto mesmo que doa.
– Já deu por si a pensar no que faria se fosse consigo?
– Nunca se sabe, mas esperaria ter a força necessária para sair ou que pelo menos gente à minha volta que me protegesse e que me ajudasse. Há sempre uma luz ao fundo do túnel. O amor protege, então acho que é sempre esse o caminho: amar e estar atento ao que se passa à nossa volta.