Foto: José Oliveira

Dona de uma voz suave e contida pelas pausas, Sofia Sá da Bandeira é o sinónimo de viver “o aqui e o agora”, uma filosofia que herdou da avó materna, Maria Helena de Freitas Branco, que faleceu aos 99 anos, e foi pioneira no ioga em Portugal. A atriz e escritora preocupa-se com os afetos: gosta de olhar diretamente o outro, do toque carinhoso e de viver rodeada de sorrisos e boas energias. A sua personalidade transparente denunciam-na se algo não está bem. Apesar de contar com uma já longa carreira na representação, em criança sonhou ser veterinária, mas teve o apoio dos pais para seguir aquilo que mais desejasse, desde que sentisse amor pela profissão. O mesmo exemplo que procurou dar aos seus dois filhos, Inês Rebelo de Andrade, de 42 anos, e José Maria Rebelo de Andrade, de 37, do seu primeiro casamento. A artista está de regresso à ficção nacional e falou com a CARAS, à margem da estreia da nova novela da SIC, A Herança, onde pode ser vista todos os serões.

– Vive serena com a idade e a imagem?

Sofia Sá da Bandeira – Considero o avançar da idade uma coisa ótima. Até porque tenho exemplos na família de pessoas com muita longevidade e que sempre se mantiveram muito ativas.

– Alguém que seja um exemplo para si?

– A minha avó materna [que faleceu em 2020]. Ela ainda foi para a Índia sozinha aos 98. Era uma pessoa incrível e trabalhava imenso. Dava aulas de piano, foi a primeira professora de ioga em Portugal. Completamente aventureira! Ela vivia muito no aqui e no agora. Isso transmitiu-me uma forma de estar na vida que me permite tirar satisfação de cada ano. Por isso, cada aniversário, cada ano que passo, inspiro-me nela e sinto-o como algo belo. Que sorte é ter mais um ano, e mais outro. Ela era um exemplo extraordinário para mim e quem me dera chegar perto do que ela foi e fez. Ela era suíça, ainda ouviu os discursos de Hitler, estudava balé e música na Áustria antes de vir para Portugal.

– Além de todos esses ensinamentos, soube sempre aproveitar o melhor do dia a dia?

– Sim, sempre fui assim. Comparo a vida como a Ilíada, de Homero: não interessa chegar, interessa desfrutarmos a viagem. Temos de saber usufruir de cada dia e entregarmos ao mundo tudo o que pudermos de melhor. Vermos o outro, não nos vermos só a nós. Porque vivemos num mundo muito narcísico.

Foto: José Oliveira

– Sente-se um espírito livre?

– Tento ser. Mas também sou uma pessoa muito discreta. Gosto de viver a minha vida, fazer o meu trabalho. E pronto.

– Aos 61 anos, em que fase da vida sente que está?

– Numa fase interessante e de maior consciência, em termos pessoais e profissionais. Valorizo muito o prazer de estar viva e de continuar a aprender até ao fim.

– Os seus dois filhos também estão ligados à arte, mas não à representação. Gostava que eles tivessem seguido os seus passos nesta área?

– A minha filha é professora de pintura e o meu filho é fotógrafo. Mas eles detestam que eu fale deles, sempre os protegi muito nesse sentido. Nunca os incentivei a trabalharem numa área ou em outra… Nada disso. Apenas quero que eles façam o que sentirem que vieram a este mundo para fazer.

– A representação ainda a apaixona?

– Sempre. Felizmente, o trabalho de ator não é como, por exemplo, o de um bailarino, que tem uma carreira ativa mais curta. Um ator pode trabalhar até ao fim. No meu caso, tenho estado sempre a trabalhar, ultimamente mais em séries. Faço outras coisas e sinto que vou aprendendo de todos os lados.

– Não gravava uma novela desde 2020. Tinha saudades desse ritmo de trabalho?

– Sim. Fazer novela é uma grande musculação para qualquer ator.

– Sentiu-se bem acolhida neste elenco?

– Todos são pessoas muito afetivas e no trabalho as coisas fluem muito bem. Assim vale a pena: quando há beleza na união para que todos possam dar o melhor de si. É muito importante quando existe um lado humano que permite as pessoas criarem. Estou contente com este desafio.

Colombo 626, versão de chão, na cor Scarlet Red.

O tom vermelho escarlate foi aplicado às versões de chão (modelo 626, com base em aço lacado, haste cromada e refletor regulável em altura em alumínio lacado), parede (761) e teto (885) da coleção Colombo, assinada pelo designer italiano Joe Colombo e editada desde a década de 70 pela Oluce.

Colombo 761, versão de parede.

Atualizada com um moderno dimmer LED, dispositivo utilizado para controlar a intensidade da iluminação, a icónica família Colombo oferece luz direta e indireta, permitindo criar diferentes ambientes.

Colombo 885, versão de teto.

Curiosidade: Colombo foi o primeiro candeeiro de utilização doméstica com lâmpada de halogéneo, criada nos anos 50 por Emmet Wiley e Elmer Fridrich, tendo o seu design nascido como resposta à invenção dos dois engenheiros da Philips.

FOTOS: cedidas

Foto: Luís Coelho

Nascida em Londres e criada em Lisboa, Catarina Wallenstein respira talento e foi desde muito cedo que despertou para o mundo das artes e do espetáculo, não fosse ela filha de uma cantora lírica e de um instrumentista, neta de um poeta e de uma encenadora, irmã de um músico, sobrinha de um ator… e a lista referente aos membros da sua família que são ou foram artistas continua.

Fomos ao encontro dela durante os ensaios para a peça Speak Low, um espetáculo da autoria de Martim Sousa Tavares que, no fundo, é uma carta de amor do maestro ao seu ídolo, Kurt Weill. Foi precisamente no Teatro São Luiz, em Lisboa, que teve lugar esta sessão fotográfica para a CARAS e onde conversámos com a atriz de 38 anos sobre esse desafio profissional e outro projeto que tem em mãos nestes primeiros meses de 2025.

– Fale-nos um pouco do seu papel na peça e como é que como surgiu o convite para a integrar?

Catarina Wallenstein – O Speak Low é um concerto teatral, uma grande mistura de teatro com música. O Martim [Sousa Tavares] tem uma grande paixão por Kurt Weill e, portanto, acho que quando lhe fizeram esta proposta de ter um projeto no São Luiz, ele desenhou esta ideia que já tinha algum tempo. O convite surgiu com naturalidade e aceitei-o de imediato. Em palco dou vida a Lotte Lenya, a mulher de Kurt Weill.

– O espetáculo teve três exibições no São Luiz, em Lisboa. Será agora apresentado noutras salas?

– Acredito que sim. É um espetáculo fácil de viajar, somos uma equipa relativamente pequena, portanto, acredito que venham a acontecer propostas dos programadores.

– É muito exigente a preparação para um espetáculo destes, em que está sozinha em palco?

– Há alguma preparação antes de subir ao palco, sim. Tenho de aquecer a voz e tenho de aquecer o corpo, porque a voz é corpo e as duas coisas estão juntas. Na escola de teatro, dizia-se que o aquecimento não é para aquecer o corpo, é para aquecer a vontade. Eu acho isso realmente bonito, fica-se logo com outra disponibilidade e generosidade para abraçar o trabalho.

– Quanto tempo é que precisa para fazer esse aquecimento?

– Para que seja feito como deve ser, pelo menos 45 minutos.

Foto: Luís Coelho

– Tem algum ritual antes de entrar em palco ou alguma superstição?

– Na verdade, sou muito errática, raramente repito as coisas na mesma ordem. Às vezes posso aquecer primeiro e depois ir para o camarim fazer a maquilhagem e vestir-me, ou pode ser ao contrário, não há regra. Sou uma pessoa bastante conversadora e sei que isso, muitas vezes, me desfoca, portanto, umas duas horas antes de pisar o palco, fico no meu cantinho, sossegada, para me concentrar.

– E que mais projetos tem em mãos?

– Estou de partida para o Brasil onde vou filmar uma longa-metragem do Felipe Bragança, com quem já trabalhei no filme Animal Amarelo, que se chama Macunaíma, que é uma adaptação ao cinema de uma obra gigante da história literária brasileira.

– E era isto que queria fazer agora? Cinema?

– Sim, gosto muito de cinema. Mas de cantar também. Acho que nestes últimos meses tem havido um encadeamento das coisas que eu mais gosto de fazer, tenho tido sorte nesse sentido.

– Quanto tempo estará no Brasil?

– Sei que é uma rodagem muito longa, portanto, acredito que durante esta primeira parte do ano esteja por lá. O trabalho arranca com as leituras do guião, realizador e elenco juntos, depois temos os ensaios e só a seguir é que se inicia a rodagem, que está prevista durar cerca de dez semanas.

– É fácil para si sair da sua base?

– Sim, é fácil. Mas voltar também é muito bom.

Foto: Luís Coelho

– Enquanto estiver no Brasil, vai aproveitar para passear?

– Talvez, não sei, só vou saber quando me derem os calendários de rodagem. Mas com certeza que vou aproveitar para conhecer melhor a zona onde estiver.

– Tem algum desejo para 2025?

– Para já, estou muito ansiosa com este filme. De resto, as coisas aparecem quando têm de aparecer.

A TVI está a celebrar o seu 32.º aniversário (que aconteceu a 20 de fevereiro). E, como tem sido habitual ao longo dos anos, reuniu alguns dos principais rostos da estação numa gala especial, desta vez transmitida em direto a partir do Casino Estoril.

Glamour” e elegância não faltaram na passadeira vermelha da gala de aniversário, que decorreu na noite de sábado, 22 de fevereiro.

O evento ficou marcado, dentro do Salão Preto e Prata, por vários momentos musicais em palco e ainda uma homenagem à ficção nacional e suas respetivas estrelas, entre elas, o ator Ruy de Carvalho.

Veja (em cima) a galeria com alguns dos “looks” que mais captaram as atenções na “red capert” da gala de 32.º aniversário da TVI.

Saiba mais na nova edição da CARAS, que chega às bancas a 26 de fevereiro, ou poderá receber em sua casa através da assinatura que pode fazer online na loja.trustinnews.pt. Também encontra toda a informação atualizada em caras.pt

É um marco da cultura portuguesa. No dia 7 recebeu uma nova distinção e no dia 11 brindou a mais um aniversário. Cheia de “vontade de viver”, Simone de Oliveira continua a ser uma inspiração para diferentes gerações.

– Está a viver há mais de um ano na Casa do Artista. Foi-lhe difícil deixar a sua casa?

Simone de Oliveira – Estou muitíssimo bem instalada. Os meus filhos fizeram-me um quarto maravilhoso com algumas coisas que tinha em minha casa, fotografias que estavam no meu quarto, livros e recordações. A Casa do Artista é um sítio onde nos tratam muito bem e somos todos iguais: uns cantaram, outros representaram, outros tocaram saxofone. Não foi difícil. Vivi 27 anos sozinha depois do Varela [Silva] morrer. Conversei com os meus filhos e concordei com eles. Não houve dramas nem tragédias. Tive alguma saudade da minha casa durante mais ou menos um mês. Agora estou com amigos. O Nuno Nazareth Fernandes tem um quarto em frente ao meu.

– Um amigo antigo que é o autor da música Desfolhada Portuguesa, de 1969. Conver-sam sobre esse tempo? 

– Por vezes. Conversamos mais sobre temas atuais. Por exemplo, do Trump, que quer ficar com o Canadá ou com a Gronelândia. Depois, se calhar, vai querer comprar a Amadora, Telheiras, o Campo Grande.

– Mantém-se a par do que se passa no mundo?

– Sim. Tenho um bocadinho de medo do que vejo, especialmente da China, do Putin e do Trump. Mais Israel e o Hamas. E tenho medo dos loucos que aparecem ocasionalmente.

– A morte assusta-a?

– Não sei o que está no outro lado.

– Celebrou 87 anos. Gosta de assinalar a idade?

– Gosto de fazer anos, não me importo nada com os cabelos brancos e com a rugas. Gosto de ser o que sou e como sou. Adoro viver e sou uma mulher feliz.

– Os prémios ainda são importantes?

– São uma expressão de carinho e têm sempre importância. Tenho de agradecer aos poetas, músicos, jornalistas, fotógrafos e à gente do meu país.

Fotos: José Oliveira e Prémio Cinco Estrelas

Foto: Luís Coelho

Para Gonçalo Castel-Branco tudo começa e termina no mesmo lugar: a família. Criador do evento Chefs on Fire, um festival de “celebração de boa comida, boa música e bom vinho”, que conquistou, pelo terceiro ano consecutivo, o prémio Especial Nutrifresco Evento Gastronómico do Ano nos prémios Mesa Marcada, Gonçalo não hesita em destacar as suas raízes e o papel central do amor nos seus projetos.

“Praticamente tudo o que fiz até hoje nasceu na nossa família, e acho que é por isso que as coisas são tão bonitas. Elas nascem no sítio do amor e não no sítio do dinheiro”, confessou, emocionado, o filho da escritora e apresentadora Luísa Castel-Branco, recordando que o conceito do Chefs on Fire teve origem num churrasco de aniversário da irmã, a atriz Inês Castel-Branco. “A cozinha era pequena demais, tive de pendurar umas pernas de borrego e umas peças de porco em árvores, e fiz uma fogueira no chão. Foi aí que tudo começou”, partilhou, com um sorriso.

Foto: Luís Coelho

Mais do que um trabalho, o festival é, para o empresário, de 44 anos, uma missão de criar momentos felizes e unir pessoas. “Vou tentando fazer outras pessoas felizes, que é o trabalho mais fácil que há no mundo e, quando corre bem, é muito bonito de participar.” O Chefs on Fire realiza-se todos os anos em Cascais e, em 2025, terá lugar num novo cenário: o Parque Marechal Carmona, a 23 e 24 de setembro. A mudança marca uma evolução no evento, que já começou a expandir-se internacionalmente com edições nas Maldivas e em Madrid, e tem ambições de chegar à América Central e do Sul nos próximos anos. Apesar de todo o sucesso, Gonçalo mantém os pés no chão, valorizando as pessoas à sua volta. “Tenho uma equipa formidável e a imensa sorte de ter a minha família à minha volta em tudo o que fazemos.”

Foto: LUSA

“Amensagem mais bonita do filme é que talvez todos nós possamos escapar a uma vida difícil. Espero que as pessoas vejam que é possível mudar – há sempre uma segunda oportunidade”, assegura Karla Sofía Gascón, a protagonista de Emilia Pérez, o filme francês, em língua espanhola, de Jacques Audiard, que foi nomeado para 13 categorias dos Óscares, incluindo o de Atriz Principal, cuja cerimónia está agendada para 2 de março (dia 3 na hora de Portugal), no Dolby Theatre, em Los Angeles.

Foto: LUSA

A nomeação de Gascón fica também registada na história dos Óscares por ser a primeira vez que uma intérprete abertamente transgénero entra na corrida como Melhor Atriz. Um papel desafiante – de um barão da droga mexicano que muda de género para iniciar uma nova vida como empresária de sucesso – que acaba por trazer reconhecimento mundial à sua trajetória, refletindo a sua luta pela identidade e pela aceitação, e que coincide com o recente anúncio do Presidente Donald Trump de que os EUA passarão a reconhecer apenas dois géneros – o que naturalmente provocou inúmeros protestos e receio, sobretudo junto da comunidade LGBTQ+.

Foto: LUSA

Gascón nasceu em Alcobendas, Espanha, em 1972, embora se considere “meio mexicana” pelos anos que ali viveu e trabalhou. Começou a dar os primeiros passos no mundo da representação no final da década de 1990, participando em diversas telenovelas e filmes espanhóis até se estrear no mundo da televisão mexicana, no ano 2009. Em 2018, aos 46 anos, iniciou o processo de mudança de sexo, deixando de se chamar Carlos Gascón para se identificar como Karla Sofía. Um processo pessoal complicado que abordou no romance semiautobiográfico Karsia: Uma história extraordinária.

Embora tente manter a sua vida privada longe dos holofotes mediáticos, sabe-se que Karla partilha a sua vida há mais de duas décadas com Marisa Gutiérrez, a quem, assegura, nunca mentiu sobre a sua identidade. As duas conheceram-se quando tinha 19 anos, num pub de Alcobendas, e tiveram uma filha, Victoria Elena, hoje com 13 anos. São elas “que aguentam as minhas loucuras todos os dias”, disse, no seu discurso de agradecimento no Festival de Cinema de Cannes.

Foto: @karsiagascon

Ativista na defesa dos direitos LGTBIQ+, Karla Sofía tem denunciado regularmente a violência a que são submetidas as pessoas trans, como aconteceu recentemente quando, nas redes sociais, foi atacada com infindáveis mensagens de ódio depois de ter sido acusada de tentar denegrir o trabalho de Fernanda Torres, também nomeada aos Óscares com o filme Ainda Estou Aqui. “Sou uma grande fã de Fernanda Torres e foi maravilhoso conhecê-la nos últimos meses. Nos comentários que fiz referi-me à toxicidade e ao discurso de ódio violento nas redes sociais que infelizmente continuo a vivenciar. A Fernanda tem sido uma aliada maravilhosa, e ninguém diretamente associado a ela tem sido nada além de solidário e extremamente generoso”, justificou Karla Sofía, partilhando, ainda: “Adoro a arte, por isso aplaudo a criatividade de todos os grupos de haters que a cada dia tratam de inventar uma nova polémica ou uma nova forma de me insultarem. Isso é bom porque desperta os neurónios, e com isso, quem sabe, algum dia possam perceber que o ódio não os vai levar a lado nenhum”.

Ingredientes

1 kg de perna de borrego
• 50 g de alho
• 3 folhas de louro
• 200 ml de vinho branco
10 g de massa de pimentão
• 1 g de colorau
• 1 malagueta
• Sal e pimenta preta q.b.
• 100 g de banha de porco
• Farinha de trigo q.b.
• 200 g de cebola
• 20 g de alho
50 g de concentrado de tomate
2 l de caldo de legumes ou frango
Tomilho, alecrim, mentastro e poejo q. b.
4 fatias de pão de centeio
300 g de castanhas sem pele
Salsa e hortelã picada q. b.

Preparação

Ensopado: Cortar a perna de borrego em cubos e marinar com o alho, o louro, o vinho branco, a massa de pimentão, o colorau, a malagueta, o sal e a pimenta, deixando repousar no mínimo durante 1 hora. Retirar o borrego da marinada, reservando-a. Passar a carne por farinha, retirar o excesso e fritar em banha até dourar. Reservar. Na mesma banha, refogar a cebola e o alho finamente picados. Quando estiverem dourados, adicionar a marinada do borrego e o concentrado de tomate, deixando evaporar todo o álcool. Voltar a colocar a carne, cobrir com o caldo e adicionar as ervas, deixando cozinhar por 40 minutos ou até o borrego estar tenro.

Empratamento: Torrar o pão ligeiramente e colocar no fundo do prato. Cobrir com o borrego e o caldo resultante da sua cozedura. Fritar as castanhas, juntar ao borrego e terminar com uma generosa quantidade de salsa e hortelã picadas. Pode acompanhar ainda com batata cozida e esparregado de grelos.

por “chef” Manuel Figueira
Casa de São Lourenço

Fotos: D. R.

Foto: Luís Coelho

Com mais de 45 anos de dedicação à cozinha, Justa Nobre foi recentemente distinguida com o prémio Especial Cutipol Carreira na gala dos prémios Mesa Marcada, que se realizou recentemente no Centro de Congressos do Estoril. Um reconhecimento que celebrou, com emoção, junto do marido, José Nobre, e da neta mais velha, Mónica Nobre, de 19 anos. “É um prémio que significa muito para mim. Não é pelo trabalho de um dia, mas por uma vida. Estou muito agradecida, especialmente porque foram os meus colegas que votaram em mim”, declarou Justa.

Apesar das quase cinco décadas de trabalho, a chef não demonstra sinais de desgaste. Pelo contrário, a sua paixão pela cozinha parece permanecer intacta. “Graças a Deus, sinto-me feliz no que faço. Ser cozinheira mexe com a minha alma. É a coisa que mais gosto de fazer na vida. Mesmo sem prémios, continuaria feliz, mas claro que ficamos gratos pelo reconhecimento do nosso trabalho e da nossa vida”, admitiu à CARAS.

Aproveitando o momento para refletir sobre a importância de inspirar as novas gerações, Justa Nobre afirmou ainda: “O que desejo aos jovens cozinheiros e empreendedores é que façam tudo com vontade, amor e dedicação. Cozinhar é uma profissão linda, e quem a escolhe deve valorizá-la. Adoro ver jovens com determinação, especialmente na cozinha. Sempre que posso, procuro incentivá-los.” Entre os jovens que Justa inspira, destacam-se naturalmente os seus netos, em particular Mónica, que parece ter herdado o gosto pela cozinha. “A Mónica gosta muito de cozinhar. Ela ainda não gosta de tudo – não é fã de peixe, por exemplo –,mas o que gosta faz muito bem. Tem uma mão fantástica para temperos e não tem medo de arriscar. Ela faz tudo a olho e o resultado é sempre maravilhoso”, contou a avó, orgulhosa.

Mónica, por sua vez, reconhece o impacto da avó na sua vida. “O maior ensinamento da avó é que devemos fazer tudo com amor e bem feito. Enquanto ela domina a cozinha portuguesa, eu gosto de explorar a culinária italiana. Gosto de inventar e experimentar, mas sempre seguindo o princípio de respeitar os ingredientes e fazer tudo com cuidado”, explicou a jovem.

Foto: Luís Coelho

A relação entre avó e neta é marcada pela partilha e troca de experiências. Justa adora receber os amigos de Mónica em casa e preparar refeições para eles. “Eles comem tudo e adoram! Já os meus netos são mais esquisitos. Cada um tem o seu gosto, e às vezes tenho de fazer três pratos diferentes para agradar a todos. O meu filho diz que os estrago, mas eu adoro mimá-los”, revelou a chef, entre risos.

No final, Justa Nobre não esconde a alegria de ver o amor pela cozinha perpetuar-se na família. “Mais do que ensinar receitas, quero deixar para os meus netos – e para os jovens cozinheiros em geral – o valor da dedicação, do amor pelo trabalho e do prazer em partilhar. A cozinha é isso: um lugar de encontro, partilha e felicidade.”

Em estreita colaboração com o estúdio espanhol ARU Arquitetura, a dupla Anne-Cécile Comar e Philippe Croisier, do Atelier du Pont transformou uma antiga ruína, contígua a um celeiro com paredes de pedra, numa residência de verão com mais de 300m2, unindo e renovando os dois edifícios preexistentes, com arquitetura tradicional da região.

Entre os vários elementos de origem que ‘guiaram’ e inspiraram os arquitetos franceses, destaque para o amarelo desbotado do teto de uma sala, que se manteve apesar do passar dos anos, a curva de um arco, a rugosidade da fachada, as vistas desafogadas sobre a natureza envolvente e, sobretudo, a predominância da pedra local.

O resultado alia a tipicidade (das matérias-primas deliberadamente deixadas à vista e formas orgânicas – o fio condutor de todo o projeto) à vivência contemporânea. “Fizemos questão de homenagear o savoir-faire menorquino, tendo incorporado elementos típicos como diferentes tipos de reboco, texturas e acabamentos”, avançam os profissionais.

No que toca aos interiores, Anne-Cécile Comar e Philippe Croisier assinam desde mobiliário até às cabeceiras de cama, em tapeçaria executada à mão por artesãos locais, e aos lavatórios em pedra.

FOTOS: Maria Missaglia