
O príncipe Carlos nega qualquer ligação ao escândalo que envolveu a sua fundação nos últimos dias. Em causa está um presumível acordo de favores e tráfico de influências, que tem como figura central Mahfouz Marei Mubarak, da Arábia Saudita, que obteria assim o título de cavaleiro e a cidadania britânica, em troca da doação de uma avultada quantia.
“O príncipe de Gales não tem conhecimento da suposta oferta realizada [ao magnata] para conseguir uma doação para as suas organizações de caridade e apoia plenamente a investigação que a The Prince’s Foundation está a levar a cabo”, referiu um porta-voz do príncipe à imprensa britânica.
Estas declarações surgem no seguimento de um dos homens de confiança do príncipe, Michael Fawcett, até agora diretor executivo da fundação, ter renunciado temporariamente ao cargo. A decisão do afastamento foi tomada após a imprensa britânica ter tido acesso a uma carta privada, alegadamente dirigida a Mahfouz, na qual Fawcett se mostrava “disposto e encantado” em ajudar o multimilionário saudita a alcançar os seus propósitos, palavras escritas após Mahfouz ter doado cerca de 1350000 euros (1,5 milhões de libras esterlinas) à fundação do príncipe herdeiro.
Nos últimos e-mails que foram tornados públicos surge o nome de William Bortrick, assessor do magnata, que assegura que Carlos não só estava a par da situação, como ainda que apoiava o facto de que o multimilionário deveria ser compensado pela sua generosa doação, declarações que o porta-voz do herdeiro do trono britânico também negou.
O jornal The Times refere que o assessor de Mahfouz dizia, nessa carta, que a solicitação de cidadania para o magnata era agora um tema de “prioridade máxima” , acrescentando ainda que “Sua Alteza apoia-o a cem por cento, já que não há maior exemplo de contribuição do que a sua, pelo que deve ser reconhecido, como consequência”.
Apesar das acusações, não há ainda certezas sobre se a carta, redigida em maio de 2014, terá sido de facto enviada pelos assessores do príncipe Carlos, segundo explica o jornal The Sun. “É verdade que a Prince’s Foundation está a levar a investigação muito a sério e não faremos mais comentários enquanto ela estiver em andamento”, referiu ainda o porta-voz da Clarence House.