Nos últimos anos, Camilla Parker Bowles (78) tem vindo a ver o seu protagonismo na monarquia britânica ganhar um novo estatuto. De figura controversa e, durante muito tempo, rejeitada, a rainha consorte e mulher do rei Charles III (77) revelou resiliência, paciência e, não raras vezes, sentido de humor perante uma história que, à luz da tradição e da História, poderia parecer improvável — mas não para si.
Prova disso é o crescimento da sua popularidade nos últimos meses. De acordo com um estudo realizado por uma empresa britânica de sondagens, nos últimos três anos, a sua taxa de aprovação junto dos britânicos passou de 25% para 50%, colocando-a na quinta posição entre os membros mais populares da família real. “Se nos mantivermos positivos, conseguimos fazer coisas que nem imaginamos. Há quem veja o copo meio vazio; eu prefiro vê-lo sempre meio cheio. Muitas vezes penso comigo: quem é esta mulher? Não posso ser eu! Acho que é assim que se sobrevive”, afirmou.
O sentido de humor terá sido, aliás, determinante para a transformação da sua imagem pública. “É preciso saber rir de nós próprios. Se não formos capazes disso, mais vale desistir”, costuma dizer. O seu papel na estrutura da Coroa ganhou novos contornos após o Palácio anunciar, em janeiro de 2024, o diagnóstico de cancro do rei. Sem demonstrar fragilidade em público — e mantendo sempre uma atitude serena —, Camilla assumiu grande parte dos compromissos oficiais do marido enquanto este se dedicava ao tratamento. “Não sou uma pessoa dura, mas considero que tenho um carácter forte”, declarou.

Porto seguro do rei Charles
A sua determinação e compromisso com a monarquia têm, aliás, demonstrado que assimilou plenamente a filosofia da sogra, Elizabeth II (1926-2022): a Coroa está acima de qualquer questão pessoal.
Mais do que mulher, amiga próxima e confidente de Charles III, Camilla Parker Bowles tem sido um verdadeiro porto seguro para o monarca ao longo das últimas décadas. A sua visão prática e objetiva revelou-se determinante para o ajudar a ultrapassar momentos mais exigentes. “Temos agendas preenchidas, mas conseguimos sempre sentar-nos para tomar chá e pôr a conversa em dia”, revelou. “Noutros momentos, gostamos simplesmente de ler os nossos livros, cada um no seu canto da sala. Nem precisamos de conversar — o facto de estarmos juntos no mesmo espaço já é muito bom”, acrescentou a rainha consorte, assumidamente apaixonada por literatura. “Ler é emocionante. Ler é divertido. Não há nada como abrir um livro e ser transportado para outro mundo, conhecer pessoas e descobrir as suas histórias — é como fazer novos amigos”, costuma afirmar.
Quando não está dedicada aos compromissos oficiais, Camilla privilegia a vida pessoal, sobretudo ao lado dos filhos, Laura (48) e Tom (51), e aos netos, Eliza (18), além dos gémeos Gus e Louis (17). “O melhor de ser avó é poder mimá-los de vez em quando e dar-lhes aquilo que os pais normalmente não permitem!”, partilhou.
Discreta, manteve sempre uma postura firme mesmo nos períodos mais conturbados. Apontada durante anos por súbditos e pela imprensa como a principal responsável pelo fim do casamento entre Charles e Diana (1961-1997), optou pelo silêncio em vez da defesa pública. “Deixar a sua casa e alguém com quem se esteve durante muito tempo exige coragem”, afirmou, recordando o divórcio de Andrew Parker Bowles (86), em 1994, que abriu caminho à relação com Charles — já então exposta publicamente.

Para evitar comparações com a chamada “Princesa do Povo”, Camilla nunca utilizou o título de Princesa de Gales, atribuído aquando do casamento com Charles, em 2005, optando antes por Duquesa da Cornualha. “Não foi fácil lidar com tudo isso, mas é preciso seguir em frente. Durante muito tempo fui observada e criticada, mas aprendi a viver com isso e consegui ultrapassar. Segui o meu caminho”, refletiu.
Ao longo dos anos, não só enfrentou o escrutínio público como também superou as reservas iniciais da própria Elizabeth II. Se, numa fase inicial, a monarca não apoiava a relação — tendo inclusivamente faltado ao casamento civil —, mais tarde acabaria por reconhecer o papel de Camilla, expressando o desejo de que esta fosse rainha consorte quando o filho subisse ao trono.
Hoje, depois de ultrapassar resistências e deixar para trás as comparações com Diana, Camilla afirma-se como uma figura central numa das monarquias mais sólidas do mundo, deixando uma marca própria na história da família Windsor.
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