O Camarote Favela estreou-se no Rock in Rio Lisboa nos dias 20 e 21 de junho, com uma segunda vaga nos dias 27 e 28, no Parque Tejo. Para Gabriela Lopes (32), a proposta de levar o modelo de hospitalidade que nasceu na Sapucaí, no Rio de Janeiro, para um mega festival europeu foi um desafio que superou as expectativas. “Foi melhor do que o que projetei”, confessa a empresária em entrevista à CARAS Portugal.
O sucesso confirmou-se através de três pilares: uma visão privilegiada do Palco Mundo, um serviço de excelência e a cultura brasileira como centro, e não apenas como um acessório: “Nascido no berço do samba”. O ponto alto, segundo Gabriela, foi ver a cultura que surgiu nas favelas ocupar o palco principal, unindo milhares de pessoas de diferentes nacionalidades. “O recorde com mais de 100 mil pessoas no ‘Cavalinho’, um momento que entrou para a história, sintetiza o que o Favela quer ser fora do Brasil“, assinala.
O balanço preliminar é de sucesso, com um engajamento orgânico e uma operação acima do esperado.
A internacionalização e o futuro do Favela
Embora o foco imediato tenha sido fechar a experiência em Lisboa com excelência, Gabriela já olha para o futuro. Com mais de sete anos de história no Carnaval carioca, o Camarote Favela está em conversas ativas para integrar outros eventos grandiosos. “Lisboa foi o primeiro passo da internacionalização”, adianta. A empresária reforça que, assim que os novos contratos estiverem assinados, as novidades serão anunciadas nos canais oficiais do projeto, embora mantenha o Carnaval como a “casa” principal.
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A ‘brasilidade‘ como alma do negócio
Para Gabriela Lopes, ver o Rock in Rio — uma marca brasileira que projetou o país para o mundo — a acontecer em Lisboa, com a ponte Vasco da Gama ao fundo e um camarote sob o seu comando, é o fecho de um ciclo. Como brasileira, encara a sua presença como uma responsabilidade acrescida. “O que o público português debateu muito neste fim de semana foi justamente essa ‘brasilidade’ no line-up – do funk do ao rap do . Teve crítica, teve meme, teve amor. Isso é Rock in Rio.”
Numa indústria onde enfrenta preconceito e machismo estrutural, a empresária defende que o seu trabalho no Favela vai muito além de uma simples presença: “Não é uma pitadinha, é a nossa alma. A nossa forma de receber, com hospitalidade, música e alegria, exporta-se muito bem.”

A EntreRios como ponte cultural
Para além da produção de eventos, Gabriela comanda a revista EntreRios, publicação que afirma-se como a sua principal ponte luso-brasileira. “A recepção, a cada edição, tem sido de orgulho da diáspora – ‘brasileiros em Portugal conectando pessoas’ como os leitores dizem”, conta. A novidade desta temporada foi a transição do papel para o vídeo imersivo com Ingríd Pedroza, algo que Gabriela pretende consolidar.
“Meus planos: consolidar como hub de conteúdo Brasil-Portugal, com mais vídeo, mais colunistas – do futebol à cultura – e edições temáticas ligadas aos nossos grandes eventos. Está a todo vapor, sim”.
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RioJá e EntreRios
Além da EntreRios em Portugal, no Brasil, Gabriela está à frente da revista RioJá. Para a empresária, elas nascem do mesmo DNA: “conectar pessoas reais com responsabilidade jornalística, afeto e leveza“. “Trazer pautas que sejam boas de ler e serem contadas, estamos um pouco saturados de só ouvir notícias ruins e fofocas que não agregam na nossa vida, né ? É narrativa. É onde a gente conta histórias, as margens dos “Rios” de Janeiro e o Rio Tejo.”.
Gabriela confessa que se revê na coragem dos que deixam o seu país para tentar a vida noutro lugar, um sentimento que alimenta a linha editorial da EntreRios. “Apesar de parecidas são diferentes, e conta histórias de pessoas que saíram de seu país para tentar a vida em outro lugar e isso é empolgante porque eu sou essa metamorfose também, me vejo na coragem e ousadia dessas pessoas. É uma revista muito bem feita, esteticamente bonita e excelentes profissionais portugueses e brasileiros, o misto que amamos!”

Carnaval 2027 e novos horizontes
Quem trabalha com o Carnaval não conhece pausas, e o planeamento para 2027 já está sobre a mesa. Gabriela Lopes garante que o objetivo é elevar ainda mais o padrão de serviço e manter o Favela como um dos poucos camarotes comandados por mulheres no Sambódromo. Entre as novidades para a Sapucaí, a empresária levanta a ponta do véu: o cantor Belo (52) já tem lugar garantido como atração obrigatória. “Estive com o Belo aqui no RIR e ele ‘reclamou’ que nunca esteve no Camarote Favela na Sapucaí, então: Belo já é uma atração obrigatória, isso posso adiantar”.
Enquanto empresária inquieta, Gabriela Lopes revela ainda que não pretende ficar por aqui. “Estou em fase de estudo para lançar um camarote simultâneo ao do Rio em outro carnaval famoso no Brasil”, conclui, deixando a promessa de novidades para o segundo semestre.
