Enquanto o Tribunal de Cascais aguarda pelo seu regresso, José Castelo Branco (63) segue sua vida do outro lado do Oceano. Entre um gesto de solidariedade como o momento de dádiva de sangue, jantares em restaurantes de luxo e passeios em Nova Iorque, o arguido continua a manter sua rotina nos Estados Unidos, desafiando a expectativa de quem esperava vê-lo a prestar contas à justiça portuguesa.
O silêncio que o marchand de arte manteve durante a curta sessão de quinta-feira, 25, por videoconferência, parece ter sido rapidamente substituído por uma intensa atividade nas redes sociais. Apenas 48 horas depois do adiamento do julgamento por violência doméstica agravada contra Betty Grafstein (97), Castelo Branco surgiu, este sábado, 27, em Miami, num ambiente de descontração total. De chapéu, óculos de sol e fato de banho, posou para a objetiva com uma pergunta provocatória: “Where the grapes at?” (Onde estão as uvas?), acompanhando a publicação com o hashtag #JusticeforJCB — uma etiqueta que tem utilizado recorrentemente para clamar pela sua própria inocência.
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Entre clínicas e jantares exclusivos
A ostentação não se ficou pelo cenário paradisíaco da Florida. Poucas horas antes, o arguido partilhou um registo numa clínica, onde se submetia a uma “Blood Therapy” (dádiva de sangue), sugerindo que a mesma “deveria ser feita por todos”.
A “vida normal” que Castelo Branco continua a exibir não se resume a cuidados de saúde. Noutra publicação recente, surgiu no exclusivo bairro de Upper East Side, em Nova Iorque, num momento de compras. “Sobre o visual de ontem: uma senhora disse-me que estava muito Mademoiselle, muito Coco Chanel”, partilhou, mantendo o tom de vaidade que o caracteriza. Para fechar o fim de semana, o marchand exibiu-se num jantar “fantástico” num dos restaurantes mais conceituados de Nova Iorque, rodeado de amigos, alheio à pressão mediática e judicial que paira sobre si em Portugal.
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A paciência da Justiça e a frustração dos comentadores
Este comportamento tem servido como combustível para os comentadores que, ainda na semana passada, haviam criticado a postura do arguido. A disparidade entre a promessa pública de “se sentar no banco dos réus” e a realidade de uma vida de lazer em solo americano tem gerado uma onda de indignação.
Recorde-se que a juíza do caso no Tribunal de Cascais foi clara: o testemunho de Betty Grafstein é fundamental. Contudo, enquanto o processo segue agora um moroso caminho burocrático — incluindo a tradução obrigatória de relatórios médicos — José Castelo Branco parece determinado em ditar as suas próprias regras, usando as redes sociais para manter o seu estilo de vida sob o olhar atento dos seguidores, enquanto o impasse judicial se arrasta até setembro.