O lançamento de um novo produto da marca de Helena Coelho está a gerar forte discussão nas redes sociais. O que começou por ser uma crítica à composição do grupo de convidadas presentes num evento promovido pela influenciadora rapidamente evoluiu para um debate mais amplo sobre inclusão, diversidade e responsabilidade social das marcas.
A polémica ganhou visibilidade depois de Geovana Rodrigues (26) partilhar um vídeo nas redes sociais onde questionava a reduzida presença de mulheres negras no encontro organizado para apresentar a novidade da marca. A criadora de conteúdos defendeu que as empresas devem assumir uma postura activa na promoção da diversidade e não limitar-se a processos de selecção considerados neutros, sobretudo quando está em causa a representatividade de diferentes comunidades.

Perante as críticas, Helena Coelho (33) respondeu através das redes sociais, esclarecendo que as cerca de 30 participantes presentes no evento foram seleccionadas de forma aleatória a partir de uma base de dados de seguidoras. A influenciadora garantiu ainda que a escolha não teve em consideração a cor da pele das convidadas e sublinhou que nunca olha para as pessoas sob essa perspetiva.
Contudo, a explicação acabou por alimentar ainda mais a discussão, levando o tema até à Passadeira Vermelha, da SIC Caras, onde os comentadores analisaram os vários ângulos da controvérsia.

Debate divide opiniões em estúdio
Filipa Torrinha Nunes (37) considerou que a principal questão deixou de estar relacionada com a composição inicial do evento e passou a centrar-se na forma como Helena Coelho reagiu às críticas. “Ela ataca e é arrogante”, comentou. Na sua opinião, a resposta da influenciadora foi excessivamente defensiva e pouco receptiva à reflexão levantada por parte do público.
Durante a sua intervenção, a comentadora argumentou ainda que todas as pessoas transportam preconceitos e referências culturais adquiridas ao longo da vida, defendendo que reconhecer essas limitações é um passo essencial para promover mudanças e construir uma sociedade mais inclusiva. “Não apenas essa empresa, mas as marcas tentem representar um bocadinho de todas as pessoas, olhando sim a cor da pele, para representar mais pessoas”, concluiu.
Já David Motta (40) reconheceu mérito nas questões levantadas por Geovana Rodrigues, embora tenha admitido algumas reservas relativamente à forma como a mensagem foi transmitida. Ainda assim, foi mais longe na sua reflexão e defendeu que o racismo estrutural continua presente na sociedade. “E não há pessoas brancas não racistas. Todos nós, quer queiramos quer não, infelizmente somos racistas“, afirmou.
Uma discussão que ultrapassa o caso concreto
A controvérsia em torno de Helena Coelho acabou por ultrapassar largamente o evento que lhe deu origem. O debate passou a centrar-se na forma como as marcas abordam a diversidade e na responsabilidade que figuras públicas com grande influência digital têm na promoção de uma representação mais abrangente da sociedade.
Enquanto as opiniões continuam divididas nas redes sociais, o caso demonstra que as questões relacionadas com inclusão e representatividade permanecem entre os temas mais sensíveis do universo digital. A situação voltou a evidenciar a crescente exigência do público perante marcas e criadores de conteúdos, num momento em que a diversidade é cada vez mais vista como um factor essencial de credibilidade e proximidade junto das comunidades que procuram alcançar.
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