O julgamento de José Castelo Branco (63), acusado de um crime de violência doméstica agravado contra Betty Grafstein (97), teve um arranque marcado pela controvérsia. Se dentro do Tribunal de Cascais a sessão durou apenas 30 minutos e terminou com o adiamento para setembro, fora dele, o debate sobre a ausência física do arguido atingiu um ponto de rutura.
A polémica começou ainda antes da audiência, no programa Passadeira Vermelha, da SIC Caras. Os comentadores do formato não pouparam o marchand de arte, recordadas as várias vezes em que este garantiu publicamente que regressaria a Portugal para se sentar no banco dos réus. David Motta (40) foi um dos mais implacáveis, sentenciando: “Isto é a prova de que aquilo que o José Castelo Branco diz não se escreve, porque ‘quem não deve, não teme’. Ouvimos isto dezenas, senão centenas de vezes. E o que é facto é que não vem”.
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A realidade do Tribunal de Cascais
A desconfiança expressa na SIC Caras confirmou-se esta quinta-feira, 25. José Castelo Branco não compareceu presencialmente, acompanhando a sessão por videoconferência a partir dos Estados Unidos. O seu advogado, Fernando Silva, justificou a ausência com motivos de ordem profissional, sublinhando que o arguido tinha a viagem reservada e não exclui a possibilidade de comparecer em futuras sessões.
Durante a curta audiência, Castelo Branco remeteu-se ao silêncio, alegando que o processo lhe causa sofrimento e que não estava em condições de prestar declarações.

O impasse no processo
A sessão também ficou marcada pela ausência de Betty Grafstein. A defesa da antiga joalheira apresentou um relatório médico que atesta a sua incapacidade clínica para depor, mas o tribunal não aceitou o documento por estar escrito em inglês, exigindo a sua tradução para português. A juíza do caso reiterou que o testemunho da vítima é fundamental e que as restantes provas são apenas complementares.
Além disso, a defesa de Grafstein solicitou que as audiências ocorram à porta fechada, para proteger a intimidade da queixosa, um pedido sobre o qual o advogado de Castelo Branco ainda terá de se pronunciar.
Com o julgamento agora adiado para 22 de setembro, mantém-se a incerteza sobre se a promessa feita pelo arguido — tantas vezes debatida nos programas de televisão — se concretizará numa comparência física, ou se o caso continuará a desenrolar-se à distância.