Conte-nos um pouco sobre o seu percurso.
Nasci em Berlim e estudei Desenho Industrial na Universidade das Artes de Berlim (UdK). Trabalho desde 2005, enquanto independente, como designer de interiores e de produto, principalmente na área de presentes e acessórios para a casa. Em 2009 voltei à UdK, onde, durante dois anos, ensinei conceitos básicos de design. Desde 2016, o meu foco é quase exclusivamente o design de candeeiros, colaborando com várias marcas internacionais de iluminação. Atualmente vivo nos Países Baixos.
O design é uma paixão antiga?
É, além da minha paixão, a minha forma de expressão. Criar mantém-me apurada e em equilíbrio. Enquanto designers, olhamos para diferentes coisas, hábitos, rotinas, materiais, culturas e pessoas, estudamos, questionamos, exploramos, combinamos, queremos melhorar valores, sejam eles funcionais, ambientais ou emocionais. Os designers ajudam um objeto a comunicar a sua função de forma clara e elegante, mas também têm a responsabilidade e a oportunidade de mudar as coisas para melhor, consciencializar e incentivar a sociedade a comprar produtos mais sustentáveis.
Qual a importância da iluminação?
O design de iluminação é a minha maior paixão. A luz transforma a atmosfera de um lugar. Se a luz não for a correta, não há ninguém que se sinta confortável numa sala, por mais macio que seja o sofá. Tento sempre enquadrar os meus projetos num contexto e perceber qual o contributo que dará a um espaço e ao seu utilizador.
Como define o estilo das suas criações?
O bom de ser designer, e não uma artista livre, é que posso definir o meu estilo muitas vezes de acordo com a empresa ou o cliente com quem estou a trabalhar. O meu trabalho é movido pela curiosidade e vontade de desafiar o habitual. Não estou nada interessada em fazer a décima versão de algo que já existe. Gosto do contraste e inesperado, como combinar formas de candeeiros industriais dos anos 50 com cestaria africana colorida, que formaram a base das minhas últimas coleções, Parrot e Grass, para a marca francesa Forestier (forestier.fr).
Tem algum material de eleição?
Gosto de materiais naturais, caso da madeira, metal, vidro, fibras naturais. Mas há cada vez mais coisas a acontecer no desenvolvimento de novos materiais baseados em componentes biodegradáveis, o que é fantástico e muito interessante.
Quanto tempo leva a criar um produto?
Algumas ideias levam anos e mudam muitas vezes ao longo do caminho, outras nascem num dia e são enviadas, acompanhadas por uma bela apresentação, logo no dia seguinte. Ou seja, não há regras.
Onde encontra inspiração?
A inspiração está em todo o lado. Sou observadora e colecionadora. Viajar é ótimo para me inspirar. Inspiro–me nas incríveis criações da Natureza, mas também a andar pelas cidades, observando as pessoas, visitando os mercados, as galerias e os museus. Muitas vezes inspiro-me numa empresa com a qual quero trabalhar, no material que utiliza, nas suas formas de produção e na sua filosofia.
O que mudaria na cena do design?
Gostaria de ver menos produtos, mas com melhor qualidade. Os custos de produção são mantidos o mais baixo possível e o resultado é uma massa de produtos de má qualidade, produzidos de forma não amiga do ambiente. Menos e melhor é mais.
Próximos projetos…
Novos lançamentos para a Carpyen (carpyen.com), Designheure (designheure.com) e Forestier.
Fotos: Cedidas