Aos 28 anos, Branca Cuvier orgulha-se de levar o nome de Portugal além-fronteiras com as suas criações, que vende para 26 países. “Vendo muito mais para fora do que para cá, nem tem comparação. As minhas peças são diferentes, exclusivas, irreverentes, e acho que os portugueses não gostam de arriscar muito”, conta a designer de joias no seu ateliê, em Lisboa, na reta final da gravidez do seu primeiro filho, que vai chamar-se Bartolomeu.
Branca pertence a uma linhagem de mulheres artistas, e o seu avô foi Leopoldo de Almeida, escultor do Padrão dos Descobrimentos. “A minha mãe puxava imenso pela minha criatividade e ajudou-me a desenvolver o lado artístico, dando-me liberdade de criação. Se eu não queria ir à escola, dava-me uns materiais e fazíamos qualquer coisa. Fazíamos imensas joias que eu depois oferecia.”
As brincadeiras com a mãe tornaram-se algo sério e hoje são a paixão de Branca, que tem duas marcas, uma com o seu nome e a Baguera. Antes disso estudou em Amesterdão e acabou por estagiar no prestigiado ateliê de Lucy McRae, onde chegou a fazer joias para Lady Gaga. Depois, conta, quis voltar para Portugal “porque estava cheia de saudades do meu namorado, da família e dos amigos” e acabou por ser vencedora dos prémios POP – Projectos Originais Portugueses. “Pensei que se conseguisse viver em Portugal e vender as peças para fora seria o ideal. Foi isso que fiz e assim consigo trazer dinheiro para cá e dar um bocadinho de protagonismo a Portugal lá fora. Mas não foi fácil. Quando criei a Baguera, nos primeiros três meses nem saía de casa, estava sempre a trabalhar, ouvi imensos ‘nãos’, não sabia bem como fazer as coisas… Precisava de um site, mas não tinha dinheiro para pagar a ninguém que o fizesse, então, fui eu que o criei. Com a produção foi igual. Tudo o que consegui foi fruto do meu trabalho.” O sucesso valeu-lhe ser escolhida para integrar um grupo de mulheres que a marca de sapatos Zilian escolheu como exemplo de determinação e exceção na campanha que assinalou o seu quinto aniversário. “Trabalhei imenso, quando ponho uma coisa na cabeça, não descanso até conseguir, adoro desafios. E neste momento sinto-me cada vez mais realizada, estou num caminho mais firme e sinto que o sonho já é real”, conclui Branca.
Branca Cuvier, a ‘designer’ de joias que leva o nome de Portugal além-fronteiras
“Pensei que se conseguisse viver em Portugal e vender as minhas peças para fora seria o ideal. Foi isso que fiz e assim consigo dar um bocadinho de protagonismo a Portugal lá fora.” (Branca Cuvier)