Habituada aos estúdios de televisão desde a infância, Sara Norte atravessa hoje uma fase que descreve como mais consciente, genuína e assente na realidade. Aos 41 anos, enquanto prepara a estreia de Desnorte, série inspirada no seu percurso de vida, a atriz portuguesa surpreendeu ao falar abertamente sobre a decisão de trabalhar também num restaurante — uma escolha que, garante, está longe de se resumir a questões financeiras.
Sem dramatizar a situação nem recorrer a discursos de autopiedade, Sara revelou, em entrevista exclusiva à Caras Portugal, ter encontrado na rotina fora da televisão uma forma de equilíbrio emocional e de reconexão com o quotidiano. “O que estava a ganhar já não dava para viver. Dava para sobreviver, não para viver”, afirmou durante uma entrevista.
Atualmente no Zama Beach Club, a atriz contou que a oportunidade surgiu de forma espontânea. Depois de participar num jantar no espaço, decidiu falar diretamente com o proprietário e pedir trabalho. Dias mais tarde, já tinha sido contratada.
O facto transformou-se rapidamente em manchetes sobre uma atriz a arranjar um emprego comum, mas ganha outra dimensão quando se conversa com Sara. Ao longo da conversa, refletiu sobre fama, estabilidade, saúde mental e sobre a importância de não viver “numa redoma”.
“Tenho 41 anos, não tenho idade para estar fechada em casa. Tenho idade para crescer, viver, falar com pessoas”, disse.

O encanto da simplicidade
Para Sara, o contacto diário com colegas e clientes trouxe-lhe aprendizagens que a televisão, por si só, nunca lhe teria proporcionado. A atriz explicou que passou a conviver com pessoas sujeitas a rotinas exigentes, remunerações mais modestas e que, ainda assim, conseguem manter leveza e felicidade no dia a dia.
“Às vezes queixamo-nos de coisas tão fúteis… e há pessoas felizes com muito menos. Isso engrandece-nos. Faz falta vermos outras realidades”, refletiu.
A artista falou também com carinho da experiência no restaurante e revelou ter encontrado prazer precisamente na simplicidade da rotina longe dos estúdios. Comunicativa por natureza, contou que aprecia o contacto direto com o público e a sensação de movimento que esta nova fase lhe proporciona. “Não gosto de estar parada. Estava muito sedentária, muito em casa”, afirmou.
Um dos aspetos que mais a encanta na nova rotina é o cenário onde passa os dias. “Trabalho todos os dias de frente para o mar”, contou.

Uma decisão prática e consciente
Sara Norte faz questão de não encarar o trabalho fora da televisão como um retrocesso. Pelo contrário. A atriz vê esta nova rotina como uma escolha consciente para preservar não apenas a estabilidade financeira, mas sobretudo a saúde emocional.
Revelou, aliás, que já atravessou períodos de frustração profissional e que não quer regressar ao estado emocional em que se encontrava anteriormente.
“Para não me tornar uma pessoa amargurada, que fica em casa a chorar e revoltada com aqueles que têm trabalho, vou à luta e procuro outro trabalho”, afirmou.
A frontalidade da atriz destaca-se precisamente por fugir ao discurso habitual entre figuras públicas. Em vez de alimentar uma imagem inalcançável, Sara prefere falar de esforço, adaptação e vida prática — uma realidade que, segundo a própria, se aproxima daquela que muitos portugueses vivem atualmente.
“Como muitos portugueses, tenho de acumular dois mundos”, declarou.

O desejo simples de ser feliz
Apesar da nova experiência profissional, Sara mantém-se ligada à televisão. Além da carreira como atriz, integra também o painel do programa Passadeira Vermelha, onde considera ter amadurecido bastante enquanto comunicadora ao longo dos últimos anos.
Sara Norte destacou também o crescimento profissional que sente ter alcançado desde que integra o programa. A atriz reconhece que a experiência lhe trouxe novas ferramentas enquanto comunicadora e lhe permitiu compreender melhor o universo do entretenimento televisivo.
“A televisão dá-me outras coisas: vou todos os dias, arranjo-me, maquilho-me, visto roupas bonitas… dá-me visibilidade, e a visibilidade é muito importante para depois conseguir outras oportunidades”, explicou.
Apesar do percurso consolidado como atriz, Sara considera que o programa lhe abriu portas para uma nova dimensão profissional. “Hoje também sei o que é entretenimento e como se faz um programa desse género. E isso é ótimo para um ator: ter o melhor dos dois mundos”, afirmou.
A comunicadora sublinhou ainda a evolução que sente ao nível da comunicação e da relação com as câmaras. “Hoje sinto que cresci enquanto profissional. Quando olho para a comentadora que era há quatro anos no Passadeira Vermelha, percebo o quanto evoluí. Estou muito grata pela oportunidade que me deram”, concluiu.
Entre o restaurante, os projetos televisivos e a estreia de Desnorte, marcada para setembro deste ano, Sara Norte vive uma fase marcada menos pela necessidade de provar algo ao público e mais pelo desejo simples — e profundamente humano — de ser feliz.
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