A passagem de Fernando Correia (90) pelo programa ‘Dois às 10′, conduzido por Cristina Ferreira (48), ficou marcada por um momento de profunda emoção. O veterano da comunicação social abriu o livro sobre a dura realidade que vive com a mulher, Vera (82), diagnosticada com Alzheimer aos 59 anos — uma doença que a acompanha há 23 anos e que a mantém internada há 14.
Com a honestidade que lhe é característica, Fernando Correia partilhou a angústia de quem vê a companheira de uma vida apagar-se lentamente. “Há coisas que não compreendo, mas que têm uma explicação, nem que seja uma explicação mística. Por que motivo uma pessoa é obrigada a passar por aquilo que a Vera está a passar? E, por tabela, os filhos, a família…”, questionou, visivelmente comovido.
O comunicador recordou o momento difícil em que teve de tomar a decisão de internar a esposa. Para Fernando, foi uma etapa ‘”terrível” marcada pela esperança — que acabou por não se concretizar — de que a doença pudesse ser reversível. O internamento tornou-se, porém, uma necessidade inevitável perante a evolução da patologia: “Já não era ela, agredia o cuidador, agredia os filhos”.

O difícil equilíbrio entre o amor e o desapego
Atualmente, o quadro clínico é de uma ausência quase total. Fernando Correia admite, com dor, que a mulher já não o reconhece, nem aos filhos ou aos netos. Esta realidade crua trouxe um novo desafio ao comunicador: o conselho médico e familiar para que as visitas sejam menos frequentes.
“Os meus filhos tentam que eu a visite mais espaçadamente. As próprias irmãs hospitaleiras aconselharam-me a não ir todos os dias”, revelou. O apelo dos filhos e dos profissionais de saúde reflete o desejo de poupar Fernando Correia ao desgaste emocional que cada visita acarreta, num ciclo de amor que, apesar da ausência de resposta, o comunicador insiste em manter vivo.
O testemunho de Fernando Correia não é apenas o relato de uma doença; é a fotografia real de um amor que se transforma e que persiste, mesmo quando a memória, essa peça essencial da vida, já não existe.