Emma Chamberlain (24) foi uma das primeiras a subir a escadaria do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, na Met Gala 2026, e não passou despercebida. A influenciadora norte-americana surgiu com um vestido que rapidamente se destacou entre os mais comentados da noite — uma criação que parecia transportar a pintura para o universo da alta-costura. Por trás da peça está o designer português Miguel Castro Freitas (45), atual diretor criativo da Mugler.
O look alinhou-se diretamente com o tema deste ano, “Fashion is Art”, assumindo uma leitura literal da proposta. O vestido, em tons vibrantes de amarelo e azul, apresenta pinceladas que remetem para o impressionismo e para a obra de Vincent Van Gogh (1853-1890), em particular as paisagens de Arles. A peça transforma-se, assim, numa interpretação visual entre moda e pintura.

Uma criação pautada pelo detalhe e pela identidade da marca
A execução do vestido envolveu um processo técnico exigente. A pintura foi realizada manualmente ao longo de cerca de 40 horas, seguida de quatro dias de secagem ao ar livre, num trabalho desenvolvido em colaboração com a artista Anna Deller-Yee (32). No total, a peça somou 958 horas de confeção.
Com 150 metros de tecido, uma cauda com cerca de nove metros de circunferência e 880 linhas de folhos, o vestido apresenta uma construção complexa, pensada para criar movimento e volume. A silhueta remete ainda para arquivos da própria casa, nomeadamente um vestido “borboleta” de 1997, reinterpretado para o contexto atual.
A escolha da Mugler reforça a dimensão conceptual da criação. A marca francesa tem um histórico ligado à experimentação estética e à teatralidade, elementos que continuam a marcar a sua identidade sob a direção criativa de Miguel Castro Freitas.
O nome por trás da criação
Natural de Santarém, Miguel Castro Freitas assumiu a direção criativa da Mugler em 2025. Formado pela Central Saint Martins, em Londres, construiu uma carreira internacional ao longo de mais de 20 anos na indústria da moda.
Antes de chegar à liderança da maison francesa, passou por casas como Dior, Givenchy e Yves Saint Laurent, além de ter integrado equipas de marcas como Dries Van Noten e Sportmax, do grupo Max Mara. O seu percurso é marcado por uma abordagem técnica e conceptual, com foco na construção de silhuetas e na relação entre corpo e peça.
Na Met Gala 2026, o designer português assinou uma das criações mais mediáticas da noite, contribuindo para colocar o seu nome — e o da moda portuguesa — em destaque num dos eventos mais relevantes do calendário internacional.
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