Num encontro marcado pelo simbolismo e pelo esforço de virar uma página de tensão diplomática, o Rei Felipe VI (58) de Espanha reuniu-se, na passada quinta-feira, 25 de junho, com a Presidente do México, Claudia Sheinbaum (64), no Palácio Nacional, na Cidade do México.
A visita do monarca espanhol, que se deslocou ao país para assistir ao jogo entre o Uruguai e a Espanha, a contar para a fase de grupos do Mundial de Futebol da FIFA 2026, serviu como o palco ideal para uma reaproximação entre as duas nações. A relação bilateral tinha atravessado um período de arrefecimento nos últimos anos, marcado pela exigência do antigo presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador (72), de um pedido de desculpas formal pela Conquista espanhola — um gesto que nunca se concretizou.
O encontro no Palácio Nacional, que incluiu uma cerimónia oficial de boas-vindas e uma reunião de trabalho entre as delegações de ambos os países, procurou fortalecer os laços de proximidade e afinidade. Segundo a Presidente Sheinbaum, as conversações incidiram sobre a importância de fortalecer a relação em benefício de ambos os povos, destacando o papel fundamental dos povos originários na história partilhada.
Este movimento de aproximação foi preparado por passos diplomáticos anteriores. Em março deste ano, durante uma visita a uma exposição no Museu Arqueológico, o Rei Felipe VI reconheceu publicamente a existência de “muito abuso” durante o período da Conquista, admitindo que tais comportamentos, à luz dos valores atuais, não permitem sentimentos de orgulho. Este gesto foi recebido positivamente por Sheinbaum, que o interpretou como um sinal de abertura, apesar de manter a sua posição de que o reconhecimento das civilizações pré-hispânicas continua a ser uma prioridade.
Cooperação contínua
Apesar dos anos de desconforto diplomático — que chegaram a incluir a não comparência do Rei na tomada de posse de Sheinbaum em outubro de 2024 —, a Presidente do México fez questão de sublinhar que “nunca se romperam as relações”. A colaboração em áreas estratégicas como o turismo e o comércio permaneceu ativa durante todo este período.
A comitiva espanhola, que acompanha o monarca, inclui figuras de peso como o ministro dos Assuntos Estrangeiros, José Manuel Albares (54), e a ministra da Educação, Formação Profissional e Desportos, Milagros Tolón Jaime (58).
Após a cimeira política no Palácio Nacional, que incluiu uma visita guiada à Galeria dos Murais de Diego Rivera (1886-1957), o Rei Felipe VI seguiu viagem para Guadalajara. É na capital do estado de Jalisco que o monarca marcará presença, este sábado, no Estádio Akron, para apoiar a seleção espanhola no importante duelo frente ao Uruguai, num Mundial que tem servido como catalisador para a diplomacia internacional.
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