
O Presidente da República falou na noite desta quarta-feira, dia 18 de março, aos portugueses, após o decreto de Estado de Emergência, de iniciativa presidencial, ter sido esta tarde aprovado na Assembleia da República, com votos a favor de todas as bancadas, com exceção do PCP, dos Verdes, da Iniciativa Liberal e da deputada Joacine Katar Moreira, que se abstiveram.
“Acabei de decretar o Estado de Emergência”, começou por dizer Marcelo Rebelo de Sousa no discurso ao país. “Vai ser um teste nunca vivido ao SNS e à sociedade portuguesa, uma contenção sem precedentes. um desafio enorme para a nossa maneira de viver e para a economia”, continuou. “Esta guerra, porque de uma verdadeira guerra se trata, dura há um mês e pode demorar mais tempo para atingir o pico da sua expressão”, continuou, exaltando o trabalho desempenhado pelos profissionais de saúde.
“[Esta] é uma tarefa de todos e não de cada um abandonado à sua sorte. Apostámos na contenção para evitar o contágio. Na contenção, o SNS fez e continua a fazer heroísmo diário”.
“Os portugueses, com a experiência de quem já viveu quase tudo, disciplinaram-se e têm sido exemplares numa quase quarentena que revela bom senso em respeitar as indicações das autoridades de saúde”, acrescentou. “Entendi dever convocar o Conselho de Estado, ouvi o governo e solicitei autorização à Assembleia da República para decretar Estado de Emergência. Sei que os portugueses estão divididos, há quem o reclame desde ontem e quem o ache prematuro”.
No seu discurso, o Presidente explicou ainda as razões essenciais que o levaram a tomar esta decisão: “o reforço da solidariedade dos poderes públicos e deles com o povo, a prevenção, a certeza, a contenção e a flexibilidade – o Estado de Emergência dura 15 dias no fim dos quais pode ser renovado”, mediante o cenário vivido nessa altura.
“Tudo mais cedo do que mais tarde. Depende da contenção nas próximas semanas conseguirmos encurtar prazos e salvar pacientes nos próximos dias”. Marcelo sublinhou ainda a necessidade de salvar empregos, deixando um nota de esperança. “Nesta guerra como em todas só há um inimigo invisível, que pode ter vários nomes: desânimo, cansaço, fadiga do tempo que nunca mais chega ao fim. Temos que lutar todos os dias contra ele. Tudo o que nos dividir e enfraquecer nesta guerra torná-la-á mais longa.”
“Nesta guerra ninguém mente nem vai mentir a ninguém. Isto vos garante o vosso Presidente da República”, sublinhou por fim Marcelo Rebelo de Sousa.
O que vai mudar?
Só amanhã, quinta-feira, dia 19, serão conhecidas as medidas tomadas pelo governo. Para já, o primeiro-ministro avançou, esta tarde, que não seria implementado o recolher obrigatório.
As medidas que forem divulgadas pelo Executivo poderão não entrar todas em vigor ao mesmo tempo, mas apenas quando forem necessárias. O governo está autorizado a suspender alguns direitos e exigir alguns deveres.
Por enquanto as pessoas não estão proibidas de circular, mas, tal como tem sido indicado pelas autoridades de saúde, é importante que se mantenham em casa, à semelhança do que têm feito nos últimos dias, evitando ajuntamentos.
A medida entra em vigor à meia noite desta quinta-feira, dia 19. Recorde-se que atualmente existem 642 pessoas infetas em Portugal, três recuperadas e duas mortes.