O novo sistema de depósito “Volta” está a causar uma verdadeira onda de indignação em Portugal, e Rita Ferro Rodrigues tornou-se uma das vozes mais ouvidas nesta discussão. A apresentadora recorreu às redes sociais para partilhar um desabafo sobre a situação que tem observado, com os próprios olhos, nas últimas semanas — consequência direta de uma medida ainda pouco compreendida pela maioria dos portugueses.
Ao partilhar uma fotografia do lixo da sua rua completamente revirado, Rita começou por contextualizar: “Ninguém quer postar lixo no feed e até eu, que acho que sei das coisas, apercebi-me, nas últimas semanas, que o lixo na minha rua estava revolvido e descontrolado, fora da norma (que já é terrível) do lixo que não é recolhido a tempo e horas, dos trabalhadores do lixo que são poucos e mal pagos, do horror de lixo que cada uma das nossas famílias produz sem qualquer consciência ambiental”.
Como funciona o “Volta” e porque está a mudar comportamentos nas ruas
Na mesma publicação, a apresentadora explicou como interpreta as consequências desta nova medida do governo português. Na prática, sempre que se compra uma bebida numa garrafa de plástico, paga-se um depósito de 0,10 euros, valor esse que é devolvido assim que a embalagem vazia é entregue num dos pontos “Volta” espalhados pelo país.
Segundo Rita, esta lógica, pensada para incentivar a reciclagem, acabou por ter um efeito secundário que poucos previram: tem levado pessoas em situação de vulnerabilidade social ou de extrema pobreza a vasculhar o lixo pelas ruas, à procura de garrafas descartadas que ainda não tenham sido entregues nos pontos de troca, na esperança de conseguirem juntar aqueles cêntimos ao orçamento do mês.
Foi precisamente esta constatação que deu à publicação um tom bem mais grave. Rita relatou ter visto, na sua própria rua, um adulto e uma criança a vasculhar o lixo, sujeitos a riscos de saúde que nem sequer consegue imaginar, tudo à procura de mais dez cêntimos para o orçamento mensal.
A apresentadora não deixou ainda passar em branco o tom de alguns comentários que já circulavam nas redes: “E não, senhores Cheganos, não eram ‘estrangeiros’ (e se fossem? Mas esta interrogação só interessa a alguns). Eram pessoas, nesta rua, choquem-se, ‘portugueses de gema’ no limiar da pobreza”.
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O outro lado da história: o “Conta Lá” também vive dias incertos
Em paralelo com esta polémica, Rita Ferro Rodrigues tem estado a atravessar um momento delicado a nível profissional. A apresentadora integra a equipa do “Conta Lá”, canal de televisão a cabo que arrancou em 2025 com o objetivo de dar visibilidade a zonas do país historicamente pouco representadas nos meios de comunicação tradicionais.
Nos últimos dias, têm-se tornado públicas notícias sobre as sérias dificuldades financeiras que o projeto enfrenta, a marcarem o momento mais incerto da história do canal.
Foi precisamente perante este cenário de incerteza que Rita e os restantes colaboradores do “Conta Lá” pararam para refletir sobre o verdadeiro propósito do projeto de que fazem parte. Apesar das dificuldades, a equipa mostra-se orgulhosa do trabalho desenvolvido, defendendo que o projeto cumpre um papel fundamental na democratização da informação em Portugal, dando voz e visibilidade a territórios e histórias que, de outra forma, dificilmente chegariam à televisão nacional.
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