Isabel Magalhães, de 56 anos, é a mais nova de seis irmãos. Viver numa casa sempre cheia fê-la, como contou, “crescer mais depressa” e ajudou-a a desenvolver a “personalidade forte” que todos lhe reconhecem. Com 18 sobrinhos e 32 sobrinhos-netos, cedo se percebeu a capacidade de Isabel para liderar, primeiro em casa, depois no trabalho e mais tarde na intervenção cívica. Atualmente, a par do trabalho que desenvolve na Sociedade de Advogados Magalhães Associados, a advogada lidera ainda o Movimento Ser Cascais, sendo uma das candidatas à Câmara Municipal de Cascais já nas próximas eleições autárquicas.
Não obstante toda a sua dedicação às causas cívicas e políticas, Isabel Magalhães sempre conseguiu conciliar a sua vida pública com a privada. Depois de três casamentos, primeiro com Vasco Galvão, do qual nasceu a sua filha Leonor, agora com 35 anos, depois com Carlos Olavo, pai do seu filho Francisco, de 31, e mais recentemente com Filipe Soares Franco, a advogada garante que a união familiar sempre foi um dos valores que mais preservou.
Na sua casa, em Cascais, Isabel Magalhães posou ao lado do filho e dos cinco irmãos, Ana Maria, Teresa, Maria Manuela, António e Pedro, e partilhou com a CARAS o que faz de si uma mulher realizada e profundamente apaixonada pela vida.
– Como foi crescer numa casa cheia?
Isabel Magalhães – Crescer numa casa cheia é uma grande lição de vida, porque se aprende a partilha, os afetos, o respeito e a alegria. Temos todos uma relação extraordinária, de grande solidariedade. Quando somos muitos, temos de partilhar muita coisa, como a casa de banho, o quarto, a roupa, e isso une-nos cada vez mais. Recebemos dos meus pais uma forte noção de família e nós, irmãos, somos realmente muito amigos e unidos. Temos um enorme respeito uns pelos outros. A relação de irmãos é importantíssima.
– E no meio de uma família grande houve espaço para afirmar a sua individualidade?
– Esse foi o meu maior desafio e acho que desenvolvi uma personalidade tão forte precisamente pela minha necessidade de afirmação. Eu era a mais nova, portanto, com quatro, cinco anos, já tinha irmãos no liceu e sentia-me inferiorizada. Acho que tudo isso me fez crescer mais depressa e me tornou um bocadinho precoce. Desde pequena que assistia a conversas sobre namorados, problemas com os amigos e até era cúmplice das minhas irmãs! Tudo isso puxou muito por mim. Nunca fui a menina mimadinha, porque era eu ainda pequena e a minha mãe já era avó! Com dez anos já tomava conta dos meus sobrinhos, com quem tenho uma relação estreita.
– Portanto, a sua primeira função como líder foi mesmo em casa…
– [risos] Foi mesmo! Tudo começou aí. Era líder das crianças. E no final da vida dos meus pais acabei por sê-lo também um bocadinho.
– O seu filho está neste momento a trabalhar em Portugal, mas a sua filha e os seus netos [André, de nove anos, Martim, de seis, e Madalena, de quatro] vivem no Brasil. Como lida com estas ausências?
– É horrível e lido com algum sofrimento. A saudade é algo que custa muito, embora hoje em dia tenhamos o Skype, que foi uma invenção extraordinária. Agora, os meus netos arranjaram uma conta autónoma para falarem comigo sempre que quiserem. Tenho também uma relação extraordinária com eles e vou várias vezes ao Brasil com o meu filho. E acho que esta minha maneira de ser alegre, solta, descomprometida, mas com valores bem definidos, proporciona uma relação próxima e cúmplice mesmo à distância. Tornar-me avó foi o momento mais mágico da minha vida, mais do que ser mãe, porque tive a sensação de que passava a ser um bocadinho imortal. E quando sentimos essa continuidade queremos deixar um exemplo de vida e um mundo melhor para eles.
– Há vários anos que se envolve em causas cívicas. Essa dedicação tem-lhe trazido mais alegrias ou dissabores?
– Por norma, vejo sempre o lado bom de tudo. Não gosto que os rancores e desesperos tomem conta do meu coração. Fui criada a dar graças a Deus pela vida e pelas coisas boas que tínhamos. E continuo com essa perspetiva. Confesso que na minha intervenção cívica tenho tido alguns desconsolos. Às vezes tenho certas expectativas em relação às pessoas e sofro algumas desilusões… Mas também têm sido poucas as vezes em que isso aconteceu. Acho que todos temos obrigação de dar à sociedade aquilo que recebemos dela. E confesso que sou um pouco rebelde… Nunca me conformo. A pior atitude que podemos ter na vida é conformarmo-nos. Temos de lutar por aquilo em que acreditamos.
– Foi esse seu inconformismo que a fez seguir Direito?
– Por um lado sim, mas também quis ser missionária, com nove anos, e ainda quis ir para o teatro. Fiz teatro no liceu e na faculdade e queria imenso poder extravasar o que me ia na alma. Ponho a alma em cima da mesa para tudo. Só sei fazer as coisas com alma e paixão e às vezes as pessoas não estão preparadas para essa entrega e frontalidade… Mas também segui Direito pelas minhas causas. Sempre fui muito independente e como advogada não tinha de ter um patrão ou obedecer a alguém. E no Direito da Família fiz muito trabalho na perspetiva da intervenção social. Penso que aí dei de facto o meu contributo.
– Teve três casamentos. É uma mulher de paixões?
– Sim, sou uma mulher de paixões, completamente. Tive um casamento muito nova resultante de uma paixão de adolescentes. Foi numa fase em que não sabíamos muito bem o que era o amor. O meu segundo casamento foi mesmo uma paixão. Estava casada com alguém com uma inteligência superior e durou 24 anos. Depois, tive outra paixão, que nasceu de uma fase mais calma. Foi uma amizade que se transformou em paixão.
– Lamenta não ter tido uma vida familiar mais semelhante à dos seus pais, que construíram uma família grande e coesa?
– Sim, lamento um bocadinho. Se tivesse tido seis filhos, poderia ter alguns comigo! [risos] Não tive mais filhos porque eu já fazia tanta coisa que era impossível! Mas devo dizer que quando parto para uma nova relação vou com o sentimento de que é para a vida!
Isabel Magalhães em família: “Crescer numa casa cheia é uma lição de vida”
A advogada posou para a CARAS na sua casa, em Cascais, ao lado do filho, Francisco, e dos irmãos.