O cinema brasileiro chora a perda de uma das suas figuras mais incontornáveis. Luiz Carlos Barreto (1928-2026), lendário produtor, realizador e fotógrafo, faleceu na madrugada desta quarta-feira, 22 de julho, aos 98 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por familiares. Conhecido carinhosamente como Barretão, o histórico nome da cultura brasileira vinha com a saúde debilitada desde março de 2024, altura em que sofreu uma queda no Ceará, o seu estado natal, durante uma homenagem.
Nascido em Sobral em 1928, Barretão mudou-se para o Rio de Janeiro na juventude, tendo iniciado o seu percurso no fotojornalismo em publicações de referência como a revista O Cruzeiro. Foi pioneiro e uma das forças motrizes do movimento do Cinema Novo nos anos 1960, deixando a sua marca indelével na direção de fotografia de obras-primas fundamentais como “Vidas secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos (1928-2018), e “Terra em transe” (1967), de Glauber Rocha (1939-1981).

Uma vida dedicada à sétima arte e o império da LC Barreto
Apesar do brilhantismo atrás da objetiva, foi na produção que o seu nome se consagrou definitivamente na história do audiovisual. Em maio de 1963, fundou a produtora L.C. Barreto Produções Cinematográficas, dando vida a mais de 80 produções ao longo de seis décadas de atividade.
Entre o vasto currículo destaca-se o colossal sucesso de bilheteira “Dona Flor e os seus dois maridos” (1976), realizado pelo seu filho mais velho, Bruno Barreto (71), e adaptado da obra de Jorge Amado (1912-2001) — um filme que atraiu quase 11 milhões de espectadores às salas de cinema do país. A produtora familiar esteve também por trás de marcos como “O quatrilho” (1995) e “O que é isso, companheiro?” (1997), ambos distinguidos com nomeações para os Óscares na categoria de melhor filme estrangeiro.
A par do percurso profissional, a sua vida pessoal esteve umbilicalmente ligada à companheira de sempre, Lucy Barreto (93), com quem era casado desde 1954, formando um dos casais mais lendários da produção cinematográfica nacional. O legado familiar estendeu-se aos filhos Bruno e Paula, bem como a vários dos netos, que continuaram a perpetuar a tradição na indústria do cinema.