David Motta (40) começou o seu percurso na exigente editoria de moda, entre produções, bastidores e colaborações com alguns dos nomes mais relevantes da indústria. Hoje, é na televisão que se afirma como um dos comentadores mais reconhecidos do “Passadeira Vermelha”, da SIC Caras, onde conquistou o público com um discurso direto e uma imagem inconfundível.
Em entrevista à CARAS Portugal, David Motta falou mais sobre a sua trajetória e o caminho que o levou da moda à televisão. Entre Nova Iorque, Londres e Lisboa, construiu uma carreira marcada por experiências internacionais e por uma identidade muito própria — que rapidamente o destacou tanto dentro como fora do ecrã.
Um percurso internacional que o moldou
Foi ainda muito jovem que partiu para Nova Iorque, onde começou a dar os primeiros passos num ambiente altamente competitivo. Aos 18 anos, integrou um estágio na Vogue americana — uma experiência que, garante, moldou definitivamente a sua forma de trabalhar. “Definiu a minha maneira de estar em qualquer projeto profissional até aos dias de hoje. Por outras palavras: não se brinca em serviço”.
É também com essa clareza que olha para o seu percurso. O stylist e artista visual revisita o início da carreira e sublinha que a moda nunca foi, no sentido mais tradicional, uma vocação. “A moda enquanto indústria nunca foi (nem é) vocação, mas como expressão artística e storytelling sim”, explica.
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Apesar deste contacto precoce com o topo da indústria, o momento de viragem aconteceu mais tarde, já em Londres. Foi aí que, quase por acaso, surgiu a oportunidade de trabalhar como stylist. “Uma fotógrafa portuguesa desafiou-me para vestir modelos em test shoots… e o resto é história”, recorda, admitindo que nunca imaginou vir a ganhar a vida dessa forma: “Jamais me passaria pela cabeça ganhar dinheiro a vestir pessoas”.
Ao longo dos anos, a sua vida foi-se desenhando entre diferentes cidades e países, nem sempre de forma planeada. “Nova Iorque, Lisboa, Londres, Lisboa, Nova Iorque… quase nunca by design e quase sempre by default”, explica. Hoje, não fecha a porta a novas mudanças: “Nunca digo nunca”.
Da moda à televisão: uma nova fase
Quando chegou à televisão, David Motta já se tinha afastado das revistas de moda — um universo que, assume, deixou de o estimular. “Os formatos editoriais tradicionais não fazem mais sentido”, opina, apontando o digital como o caminho natural da evolução.
A entrada no “Passadeira Vermelha” marcou, assim, uma nova fase — e, segundo o próprio, tem sido uma surpresa positiva. “Tem sido absolutamente maravilhosa… uma bênção disfarçada”, diz, explicando que a oportunidade de se dar a conhecer ao público tem tido um impacto maior do que esperava. “Aquilo que as pessoas não só veem nos ecrãs, mas também o que sentem através deles, ser celebrado como positivo… para mim é isso mesmo: uma dádiva, mútua ou recíproca, quero acreditar”.
Ainda assim, admite que o papel de comentador exige uma abordagem diferente daquela que tinha enquanto stylist. “O olhar de stylist, à exceção da capacidade analítica, não tem servido de muito. Eu atiro-me de cabeça em tudo aquilo a que me proponho”, sublinha.

A própria imagem que comunica
Figura marcante tanto dentro como fora do ecrã, David Motta vê a sua imagem como parte essencial daquilo que é. “É uma extensão da minha personalidade. É o que comunica — ou grita — primeiro”, explica.
Mais do que estética, a imagem assume várias funções: “É armadura, diversão, trabalho… é imensa coisa para mim, mas nunca nada estático”. Quando desafiado a definir o seu estilo em algumas palavras, não hesita: “David Motta”.
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Aos 40 anos, David Motta assume estar numa fase mais consciente — e também mais exigente consigo próprio. “Nunca me senti tão bem comigo fisicamente como hoje, não necessariamente por estar melhor, mas pela maturidade emocional”, partilha, descrevendo este momento como “paradoxal”, marcado por um maior equilíbrio, mas também por novas preocupações.
Se pudesse voltar atrás, deixaria um conselho simples ao seu “eu” mais novo: “Não era preciso tanta ansiedade”.
Num meio frequentemente associado a construções e personagens, garante que se mantém fiel a si próprio. “Sou exatamente a mesma pessoa dentro e fora das câmaras, mas sem maquilhagem ou saltos altos”, afirma.
Entre o sucesso e o equilíbrio pessoal
O impacto da carreira na sua vida pessoal é, contudo, uma realidade que não esconde. “O trabalho no presente ocupa grande parte do meu tempo, saí de dois anos muito complicados e só agora é que me começo a erguer”, revela. Nesse processo, admite que a vida pessoal ficou para trás: “Está ainda, de certa forma, em ‘banho-maria’. O que não são necessariamente as melhores notícias, mas é a verdade”.
Ainda assim, encara o futuro com intenção de mudança — sem pressas. “Estou a trabalhar para que esta verdade se torne mentira, por assim dizer, mas com muita calma… às vezes até demais”, confessa.
Quanto ao futuro, a ambição afasta-se do material: “Paz de espírito e mais equilíbrio”, diz, resumindo aquilo que hoje considera essencial.