A disputa amorosa entre as irmãs Sandra (Filipa Pinto) e Tânia (Inês Sá Frias) pelo coração de Luís Maria (Diogo Martins) é um dos motores da atual fase de Páginas da Vida, recriando para o público português moderno o mote que já fora sucesso na versão original da trama – produzida no Brasil pela Globo há exatos 20 anos.
Na altura, os astros brasileiros Thiago Lacerda (48) e Danielle Winits (52) davam vida à irrequieta Sandra e ao sedutor Jorge Martins de Andrade, agora conhecido como Luís Maria. Tânia, por sua vez, chamava-se Thelma e marcou a estreia como atriz da hoje consagrada Grazi Massafera (44) – que “caiu” no ofício artístico quase por acaso.
Grazi tornara-se conhecida do grande público no ano anterior à telenovela, como participante do Big Brother Brasil. Mesmo sem ter vencido a edição, tornou-se uma das campeãs de popularidade do programa em 2005, o que atraiu a atenção da Globo e de Manoel Carlos (1933-2026), autor de Páginas da Vida.
Maneco e o diretor artístico da trama, Jayme Monjardim (70), convidaram pessoalmente a jovem para assumir o papel de Thelma na história. De modo a estar à altura do desafio, Grazi mergulhou num curso intensivo de representação, uma vez que, até então, nunca tinha equacionado enveredar por essa área.
Apesar da inexperiência da atriz, o seu par com Thiago Lacerda conquistou a aprovação do público, que torcia fervorosamente por um final feliz entre Thelma e Jorge – o que acabou, de facto, por acontecer.

Do descrédito à consagração
Esta imensa recetividade popular fez com que Grazi fosse crescendo rapidamente no elenco da emissora. Apenas dois anos após a estreia em Páginas, conquistou o seu primeiro papel principal em Negócio da China (2008) – trama que contou com gravações em Portugal e teve Ricardo Pereira (46) como um dos atores centrais.
Uma ascensão tão meteórica, contudo, acabou por gerar descontentamento e ciúmes em alguns atores da Globo, que não gostaram de se sentir “preteridos” por uma ex-Big Brother tornada atriz quase “sem querer”. Até por causa disso, Grazi demorou a ser reconhecida como não apenas mais uma celebridade, mas uma verdadeira intérprete de talento.
A consagração profissional tardou, porém acabou por vir em 2015, quando Massafera roubou o protagonismo no núcleo secundário de Verdades Secretas. A sua personagem na ficção – ambientada no universo da moda e da prostituição de luxo – era Larissa, uma modelo que “complementava” a carreira nas passerelles com trabalhos “extra” como acompanhante de luxo e, deprimida por essa rotina humilhante, acabava por se afundar no vício do crack.
A densidade da interpretação de Grazi e a sua entrega ao complexo drama de Larissa surpreenderam o público e a crítica, a ponto de lhe valerem uma nomeação para o Emmy Internacional de Melhor Atriz no ano seguinte.
Verdades Secretas marcou um antes e um depois na carreira da loira, que a partir daí passou a ser considerada uma atriz de topo na ficção brasileira. Ainda há, no entanto, quem se recorde com carinho da jovem inocente que interpretou em Páginas da Vida – e, a julgar pelo desempenho de Inês Sá Frias na versão atual da história, não será surpresa se ela vier a seguir os mesmos passos da sua antecessora.
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