Saiu do futsal envolta em polémica. Agora, enquanto Miss Portugal, regressa ao espaço público com declarações que prometem gerar incómodo: afirma ter sido punida por algo que, nos bastidores, era amplamente conhecido e consumido.
A atleta Marcela Soares (21), cuja carreira no futsal foi interrompida após se tornar público que produzia conteúdos para plataformas de adultos, volta ao espaço mediático com uma narrativa que ultrapassa a controvérsia inicial. Hoje, enquanto representante de Portugal no concurso Miss Copa do Mundo, assume uma nova etapa — sem apagar o passado. Pelo contrário, opta por enfrentá-lo.
O que começou com uma expulsão evoluiu para um caso que levanta questões incómodas sobre moralidade, exposição e duplo critério no desporto. É nesse ponto que a ex-atleta concentra o seu discurso.
“Fui julgada por algo que muitos já consumiam. A diferença é que eu não escondi”, afirma. A declaração, incisiva, define o tom das revelações. Mais do que uma defesa pessoal, surge como uma acusação direta.
Segundo relata, ainda enquanto jogadora, recebia mensagens de pessoas ligadas ao próprio meio desportivo. Comentários, sugestões e interações que, garante, eram frequentes, embora discretos. “Opiniões sobre lingerie, sugestões de fotografias, comentários aos vídeos… tudo isso existia. Quando se tornou público, passei a ser o problema.”

Entre a polémica e o reposicionamento
A ex-jogadora sustenta que a sua saída do futsal não resultou do conteúdo em si, mas da visibilidade que o tema adquiriu. “Toda a gente sabia. Muitos subscreviam. Só se tornou escândalo quando chegou ao topo”, afirma, apontando para um funcionamento interno assente numa tolerância silenciosa até deixar de ser conveniente.
Durante meses, optou pelo silêncio. Agora, diz-se preparada para inverter essa posição. “Na altura calei-me. Havia muita pressão e muito julgamento. Hoje tenho voz e já não tenho medo.”
Essa mudança materializa-se num novo projeto: um livro onde promete revelar bastidores do desporto que, segundo defende, raramente chegam ao espaço público. A intenção, sublinha, não passa por expor indivíduos, mas por revelar dinâmicas. “É sobre o sistema.”
A nova fase de Marcela Soares surge num equilíbrio delicado entre reposicionamento e confronto. Enquanto afirma a sua identidade como Miss e procura construir uma imagem para lá da controvérsia, recusa apagar a origem do debate que a trouxe até aqui. “Quero ser lembrada para além da polémica”, admite, consciente de que o tema continua a marcar a perceção pública.
Ainda assim, não fecha a porta ao passado. Um eventual regresso ao futsal não está excluído, embora em moldes diferentes. “Pode ser um recomeço. Mas, desta vez, à minha maneira.”
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